Música

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Fight Club (Clube da Luta)

Parece que ultimamente só ando postando filmes trash. Começou com Pi, Hannibal e agora Clube da Luta. Clube da Luta (de 1999, baseado no livro de Chuck Palahniuk) é sim um longa de ação, mas ultrapassa essa barreira e mexe com várias feridas importantes da sociedade moderna. Jack (Edward Norton) está entediado com sua vida vazia, sem sentido e atordoado com a insônia que lhe vem a noite. A idéia, para Jack, que cada vez mais está ficando parecido com seu pai o apavora verdadeiramente. Bom, pelo menos até ele conhecer Tyler (Brad Pitt) um maluco anti-capitalista que acredita que a adrenalina seja melhor do que uma sessão terapêutica. Assim, os dois criam o Clube da Luta, local onde homens buscam extravasar toda sua fúria em função da vida rotineira que levam. Mas as coisas começam a sair do controle, voltando-se mais para a organização de uma prática terrorista contra tudo que envolva o capitalismo e o consumismo, do que simplesmente um clube de violência gratuita. Por alguns críticos, o filme foi retratado como fascista. Não creio que esse seja o caso e o roteiro, nesse sentido, é brilhante, pois se utiliza, diversas vezes, de efeitos metafóricos para criticar essa geração Coca-Cola. O roteiro também é brilhante quando conduz a narrativa com maestria e proporciona um fim surpreendente a ela, aliado, é claro, a ótima direção de David Fincher. Sugiro que assistam esse filme com olhos treinados: esqueçam da violência que tanto aparece ali, mas atentem-se para a sagacidade das críticas referente às questões que a película apresenta. Assim, não tenho dúvida, o resultado será outro e muito satisfatório.

Para fazer o download do filme em RMVB*, clique no titulo do post.

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Os filmes no blog são todos em RMVB para facilitar o download pra galera e também para ocupar menos espaço no PC. Porém é preciso ter um player, como o Real Player, que suporte essa extensão do arquivo. Sugiro o Media Player Classic, pois ele é rápido, suporta várias extensões de arquivos diferentes e é leve para o PC. Entre no http://www.baixaki.com.br/download/k-lite-mega-codec-pack.htm e baixe o arquivo para assistir o filme!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Hannibal - A origem do mal

A magia do cinema realmente é impressionante. Um dos maiores vilões cinematográficos tem a capacidade de provocar empatia a milhares de telespectadores. Hannibal Lecter sem dúvida é um deles: psicopata, cruel, canibal, porém sedutor, terno, culto e atencioso. Teoricamente, essa seria a quarta produção sobre o personagem, mas muitos não a consideram como parte da trilogia composta por Dragão Vermelho (1986 - na refilmagem realizada em 2002, o eterno vilão foi consagrado pela belíssima interpretação de Anthony Hopkins), Silêncio dos Inocentes (1991) e Hannibal (2001). Todas essas produções se basearam na obra literária de Thomas Harris, roteirista desse "quarto" filme. Em Hannibal, a origem do mal (2007) o intuito é revelar o começo de tudo, a infância e a juventude do menino Hannibal que teve seus pais e sua irmã violentamente assassinados. Nessa belíssima produção vários são os destaques, como o clima épico dado ao suspense, a escolha e beleza dos figurinos, a fotografia do filme e a excelente atuação da charmosa Gong Li (Memórias de uma gueixa). Porém, faltou experiência a Gaspar Ulliel, o Hannibal desse filme, já que em algumas cenas ele deixou a desejar, exectuando-se algumas cenas que se faz possível perceber certa evolução dele dentro do personagem. Quanto ao roteiro, faltou uma construção mais densa e elaborada dos personagens, sobretudo a dos vilões, deixando-os superficiais e rasos demais. Parece que a preocupação permaneceu tanto no jovem Lecter que os outros personagens foram deixados a deriva. Por fim, quando se mostra os acontecimento que antecederam a morte da família de Hannibal, apontando algumas nuances sobre a 2º Guerra Mundial, o filme pecou na ânsia de apontar os russos como vilões da guerra e como "responsáveis" pela configuração da mente insana e psicopata do menino Lecter. Mas como se trata de uma produção feita em parceria com os EUA, isso não surpreende, afinal, eles não poderiam deixar de dar o pitaco deles...

Mais uma vez, essa foi uma indicação de Mariana Gatti. Demorei, mas até que enfim consegui assistir ao filme. Pra quem tiver sugestões interessantes de outras produções culturais que gostaram, que odiaram, que são polêmicas, enfim, deixe nos comentários. É sempre importante estabelecer essa troca de informações. 

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Pouca Vogal (Gessinger+Leindecker)


Vamos de música. E lógico, de qualidade.
Sem dúvida, uma das minhas preferências no universo musical - fora Los Hermanos  - sempre foi Engenheiros do Hawai. Talvez porque suas letras também estivessem recheadas de existencialismo que eu queria tocar/experimentar. Mas também pela excelente musicalidade da banda. Isso não quer dizer que Los Hermanos "percam" deles nesse sentido, mas acho que são qualidades diferentes que fazem dessas bandas minhas preferidas. Se por um lado o Amarante e sua trupe dá um ar mais "cult" e ao mesmo tempo muito irreverente, Humberto Gessinger apresenta-se como um dos melhores poetas e instrumentistas do Brasil. Mas calma. Não é meu interesse me prolongar demais nessas abordagens comparatórias que, na verdade, nunca chegam a lugar nenhum. Essas informações foram apenas notas introdutórias para se tratar do que realmente me interessa hoje, aqui: a belíssima produção da menor banda de rock gaúcha, formada por Humberto Gessinger e Duca Leindecker, o álbum Pouca Vogal. Nele, você poderá notar que a musicalidade faz parte desses dois artistas. A performance instrumentista dos dois realmente é impressionante. Em alguns vídeos que assisti sobre a "dupla", pude perceber  isso: Gessinger, surpreende quando numa mesma música toca baixo, sola gaita e arrisca algumas notas com o pé, num instrumento que parece um teclado. Duca, por sua vez, não fica atrás. Em uma das canções, o músico toca violão e simboliza o som da bateria na própria caixa acústica do instrumento. O mais engraçado e importante de tudo isso é que os dois parecem se divertir muito com toda essa performance. Eles se motram muito à vontade nas apresentações e buscam sempre transmitir a mensagem trazida nas entrelinhas de suas letras ora existencialistas, ora melódicas, ora de protesto. Para aqueles que não trocam Engenheiros por nada, também há algumas regravações deles no álbum. Não sei se sou a melhor pessoa pra falar dessa produção, mas pelo pouco que conheço e o pouco que pude ver já bastou pra me tornar fã dos caras e também para conhecer ainda mais o trabalho do Duca Leindecker no Cidadão Quem que antes quase não conhecia.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

PI (ou 3,1415...)


É esse mesmo o nome do filme. A dica de hoje se baseia em uma ficção científica que revela a busca desnorteada e desesperadora de um gênio matemático pelo padrão numérico de 216 dígitos que rege o universo. Esse filme, lançado em 1998, é mais uma das ótimas direções já realizadas por Daren Aronofsky, diretor também de Requiém para um Sonho, lançado um pouco mais tarde. Pi é muito bem dirigido e produzido. Apesar de ter sido filmado em preto e branco, o filme tem uma das mais belas fotografias que eu já pude apreciar. Inspirado num tom meio expressionista, suas cenas tem uma acentuação nos contrastes, dando um ar de filme antigo, mas ao mesmo tempo, sem cansar ou deixar entediante a sessão fílmica. Digo isso, pois até eu que gosto bastante desse universo cinematográfico, não tenho muita paciência pra assistir produções muito antigas. Esses dias mesmo eu estava tentando me concentrar na produção Bonequinha de luxo e não teve jeito, adormeci nas duas tentativas. E olhem que esse é um clássico pra lá de clássico do cinema. E ainda vou ficar devendo meus comentários críticos sobre esse filme, pois ainda tenho ele somente como sonífero...
Voltando ao Pi, Max Cohen inicia sua saga pela descoberta do padrão numérico deifinitivo que seria responsável pela ordenação do universo, ou seja, pelas mudanças, altas e baixas da bolsa de valores, pelo cálculo do Pi, da Torá, entre outras coisas. Logicamente, outros personagens irão surgir aí pra tirar proveito da sabedoria de Max, como os representantes de Wall Street e alguns fiéis fanáticos do judaísmo, a fim de desmistificar os ensinamentos expressos pela Torá. Interessante é também a associação que se faz entre o SOL de verdade, responsável pelas dores de cabeça intermináveis do protagonista e o Sol personagem do filme e um dos primeiro professores de matemática de Max. Veja bem, é preciso lembrá-los que esse não é filme pra qualquer um. Para aqueles que procuram por um bom roteiro, talvez essa produção não seja uma das mais indicadas, mesmo porque a beleza do filme está na construção das cenas e não nos diálogos e acontecimentos.A trilha sonora do filme é muito bem utilizada, sobretudo quando se busca relacionar o ritmo frenético da música eletrônica ao estado de (in)sanidade mental do personagem e também a sua ânsia pela descoberta que está a fazer. O final, sem dúvida, é muito surpreendente.

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domingo, 18 de abril de 2010

Dorian Gray


Uma bela adaptação do livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Eu disse bela, mas não perfeita. De longe, o livro ainda "ganha" disparadamente do filme. Com essa produção, soma-se duas adpatações já feitas sobre o livro, uma de 1945 e essa, de 2009. Nessa, creio que houve faltas e exageros. O elenco é bom, sobretudo, o papel exercido por Colin Firth que faz Henry Wotton. O Dorian Gray, de fato, realizado por Ben Barnes, deixa um pouco a desejar. Sobrou beleza e faltou experiência para fazer um personagem dessa amplitude e densidade. A fotografia do filme e a trilha sonora são dignas de nota: excelentes. No entanto, tem algumas cenas que necessitariam de maior atenção na edição, como aquela em que, na mesma cena, uma câmera pega o ambiente todo iluminado e na continuação da tomada, muda-se a câmera e também a iluminação do cenário, mostrando um ambiente quase sem luz. Bom, o filme conta então a história do jovem e belo Dorian Gray. O rapaz se muda para a cidade e empreende uma amizade com Henry, esse que será uma influência determinante na vida de Dorian. Henry prega tudo aquilo que sempre desejou fazer, mas não pôde, seja por conta da sua idade ou por ser casado e tal. O Lord vai ser responsável por conduzir Dorian a experiências das mais diversas, endurecendo o coração do pobre rapaz. Porém, quando Basil faz um retrato de Dorian, sem saber, o artista aprisiona a alma do rapaz. Assim, Dorian se mantém com toda sua vaidade, beleza, juventude e ganância enquanto seu retrato, ou melhor, sua alma, é dotada de toda a podridão resultante dos seus atos e dos anos passados. Creio que houve excessos na apresentação das orgias. Porém, cinematograficamente, esssas cenas foram muito bem feitas, pois o expectador consegue curtir, junto com Dorian, o frenesi daqueles estímulos e sensações ora desconhecidos. Faltou um pouco mais de mistério, uma ar mais sombrio que está bem presente no livro de Wilde. Enfim, creio que não devo ser tão dura assim também nas críticas. Afinal, literatura e cinema são duas produções bem diferenciadas e com regras próprias, específicas a cada campo. O livro tem um tempo mais lento, mais analítico e cheio de detalhes, esses que, quando o cinema tenta captá-los não alcançam grandes êxitos, mesmo porque o filme possui um tempo mais acelerado de fluxo narrativo.  Mas, sem dúvida, esse exercício de análise entre uma produção e outra é importante de ser realizado, a fim de que possamos construir nossas próprias visões sobre as obras analisadas.

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sábado, 17 de abril de 2010

A CONCEPÇÃO

 

Os dramas da pós-modernidade. A concepção (2006), de José Eduardo Belmonte, conta a história de um grupo de jovens brasilienses, filhos de diplomatas, que decidem criar uma espécie de "clube", baseado nas normas de um tal "concepcionismo". Essa doutrina seria dotada de regras, sendo que uma delas e a mais intrigante, é a destruição das identidades pessoais e socias e a reinvenção dos sujeitos a cada dia. As regras foram reunidas no Manifesto dos Concepcionistas, pregando coisas como: morte ao ego, ser uma pessoa a cada dia, toda memória deve ser apagada, o dinheiro deve ser abolido, a humanidade está doente, o concepcionismo é caminho para cura, todo concepcionista é uma fraude que dura 24 horas. Plasticamente, o filme é muito bem feito, desde a iluminação, a seleção do elenco, quanto ao resultado de tudo isso, ou seja, as cenas, a fotografia, e assim por diante. O roteiro é despretencioso, não busca revelar os personagens em sua densidade, com exceção de "X", mentor do manifesto, figura enigmática. "X" é interpretado pelo baixinho, porém grandioso, Matheus Nachtergaele que mais uma vez dá um show de interpretação. Por ser dotado de segredos e dono de um passado desconhecido, "X" vai ser o único personagem melhor trabalhado na telinha. Mas não se anime pensando que irá conhecer os segredos dele, pois mesmo após o término do filme, você ainda ficará cheia de indagações na cabeça, do tipo: Qual é a dele afinal? 
Para aqueles que se animaram com a idéia de abandono de identidades, lembrem-se sempre que isso é ficção. É uma ficção bem diferente da vida real, afinal eles tinham pais cheios de dinheiro para bancar todo esse ato "subversivo", como também custear as orgias e as festinhas regadas a drogas que essa trupe armava. Mas, sem dúvida, não deixa de ser uma ótima produção fílmica, mas infelizmente pouco divulgada aqui, no Brasil. Essa produção é resultado do trabalho da Olhos de Cão, uma produtora que se dedica a fazer filmes de baixo custo e com temáticas polêmicas. Como nem todo mundo tem interesse nessas abordagens alternativas, produções como essas, por vezes, passam despercebidas do público.

Aqui estão os links para download: 

Dessa vez, o link para download não está no título. Como eu disse, esse filme teve pouca divulgação e até aqui na internet ele foi muito difícil de achar. Só consegui localizá-lo em pedaços, ou melhor, em partes e por meio do servidor RAPIDSHARE. É só clicar em FREE USER e aguardar o tempo necessário e clicar no local indicado para fazer o download. É tão simples como o MEGAUPLOAD, só é um pouquinho mais demorado. Além disso, os arquivos estão zipados e, portanto, necessitarão de um descompactador, como o 7-Zip File Manager. Siga as instruções: Baixe os arquivos separadamente. Clique na primeira parte do filme (part1.rar) com o botão direito do mouse e na guia '7-Zip' escolha a opção "Extrair aqui". O arquivo será descompactado automaticamente. Aí é só clicar no arquivo e assistir o filme.

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O cheiro do ralo


 

Mais uma produção nacional. O cheiro do ralo, de Heitor Dhalia, de 2007, conta justamente isso: a história de um homem que se intrigou com o cheiro insuportável que vinha do ralo do banheiro de seu escritório. Lourenço, interpretado por Selton Mello, é um sujeito solitário que trabalha com compra e venda de objetos usados. Lourenço se utiliza do dinheiro e de seu "poder" de compra para controlar as pessoas. Aliás, o filme retrata bem a realidade brasileira, seus problemas e os maus cheiros da modernidade: a tara do brasileiro por bundas, a desestrutura familiar, a falta de dinheiro, a obsessão pela compra de objetos, por vezes, inúteis e, é claro, a relação que muitos vêem entre o dinheiro e o poder. Em sua solidão, Lourenço delira e acaba criando a imagem do pai, que nunca conheceu, em meio a suas fantasias. Um filme de humor ácido e cru, bem no estilo de Selton Mello e seu jeitão irreverente. Vale a pena!

Ps: Esse filme, em particular, está em .AVI, portanto, rodará em qualquer player instalado em seu PC.

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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Knowing (O Presságio)



Boa produção. Cheia de efeitos especiais bem feitos. O roteiro é ótimo até sua primeira uma hora de filme. Um bom suspense. Nesse primeiro momento do filme até cheguei a pensar que era um suspense voltado a terror, pois a meninha Lucinda é quase uma Samara das mais experientes. Aliás, acho que se o filme tivesse seguido essa linha até o fim, seu resultado seria bem melhor. Sobre o elenco, bom, Nicolas Cage é sempre Nicolas Cage. Creio que devo elogios também ao garotinho que interpreta seu filho. Ele fez muito bem o papel. Mas passada a primeira hora do filme, os desastres já começam a acontecer. Desastres literalmente, tanto no roteiro do filme quanto na história que está sendo contada nele. Até então, o que era um filme de suspense-terror vira um filme de ação ultra, mega ficcional, misturando-se em meio ao roteiro temas polêmicos como ETs, ciência e religião. O fim, pra mim, foi hilário. É como se misturasse toda a teoria do Big Ben com a criação do mundo, segundo o evangelho, por Adão e Eva. E aí tiram Deus da parada, e colocam uns Ets, como se esses fossem o Deus de verdade, ou os enviados Dele. Enfim, creio que com o avanço da medicina hoje em dia, futuramente será mais fácil retermos "os escolhidos". É só guardarmos os sêmens e os óvulos dos mesmos que a reprodução humana estará garantida por bilhões de anos. Se você quiser entender todas essas baboseiras que estou a despejar aqui, assistam a esse filme. Com certeza ele irá despertar uma série de questões dentro de sua cabecinha. Penso que com tantos desastres naturais acontecendo por aí, o fim deve estar mesmo próximo. Mas será em 2012? Será por água ou por fogo? Eis a questão! Ah, e não se esqueça, preste bem atenção, se um dia você encontrar uma pedra negra dotada de um brilho especial por aí, você pode ser um dos próximos escolhidos, você ou os seus gametas, cromossomos, enfim, tanto faz.

Ps: Agradeço a Mariana Gatti pela indicação do filme. Ele não está no meu ranking dos melhores, mas, sem dúvida, está no topo da minha lista de filmes que mais me deixam indignada por colocarem tanta ficção num mesmo roteiro (risos). Mas são filmes como esses que faz a gente ter um olhar crítico sobre as coisas. Aos céticos como eu, essa produção é uma boa indicação, uma vez que nos ajuda a avaliar nossas próprias crenças sobre determinados assuntos.

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Esse filme, em especial, não está com a legenda embutida. Você terá que fazer o download separadamente. Clique aqui: Download da legenda. Depois de terminado o download, deixe os arquivos com nomes iguais. Aí é só colocar pra rodar!

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Irreversível


Um filme chocante. Incômodo, intrigante. A realidade nua e crua. Polêmico. Esses são todos os adjetivos referente a essa produção de Garpard Noé, Irreversível, de 2002. O filme trata-se de um episódio de estupro e todas as consequências drásticas decorrentes dele. De forma inversa, como o título do filme sugere, a história é contada de trás para frente. A forma de filmagem, a um estilo Bluxa de Blair, porém mais rápida, aliando-se a uma trilha sonora que nos faz viajar, pode até causar um pouco de enjoô no início da película. Porém, com o tempo o expectador começa a perceber que os rodopios e giros da câmera simbolizam o retrocesso da história, já que ela está sendo contada de forma invertida. Esse retrocesso também promove a desconstrução dos personagens, uma vez que as características dos mesmos observadas no início  se desfazem no decorrer da narrativa fílmica. Além do estupro, o filme aborda cenas de alta violência, como aquela que mostra Pierre (Albert Duponel) defender o amigo Marcus (Vincent Cassel) com o extintor. A câmera capta toda a agressão, essa que foi feita ininterruptamente, mostrando todos os golpes dados por Pierre até a desconfiguração completa do rosto do agressor. Um cena pra lá de pesada e dolorosa de se assistir. Confesso que pensei em parar, mas prossegui, imaginando na onde essa maluca história ia dar. Além disso, há de se destacar também o papel realizado por Monica Belluci, a namorada de Marcus. Só ela mesmo consegueria ter suporte psicológico e profissional para conseguir filmar a cena do estupro em uma única tomada,  de uma vez só, marcando a história do cinema como uma das cenas mais tórridas de sexo já gravada.  O tema sobre a homossexualidade não poderia ficar de fora do roteiro. Ela é apresentada de uma forma direta, nua e crua, buscando provocar todo o tipo de aversão ao expectador, induzindo-o a pensar que tais práticas sexuais e festivas seriam próprios somente daquele lugar em específico, daquela gente. Mas não. De forma brilhante, num outro momento do filme é mostrado uma festa heterossexual que, assim como o clube gay, lança mao das mais diversas subversões, como o sadismo, a orgia, o uso de drogas e assim por diante. Irreversível nos mostra que não se pode pagar ou apagar uma agressão com outra agressão, pois a violência, uma vez realizada, ela se torna irreversível para aqueles que a protagonizaram e por mais que se tente, as vítimas não são capazes de esquecer o ocorrido.

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