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domingo, 1 de abril de 2012

O Frankestein moderno de Almodóvar: "A pele que habito"

Em mais uma de suas super produções, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar consegue surpreender novamente. Seu "ator" pródigo, Antônio Bandeiras, no papel do cirurgião plástico Richard Legrand, traz à tona uma tônica de discussões na qual a ciência e a sétima arte recriam, por assim dizer, um neofranskestein.

 

Navegando entre o suspense e a ficção científica, Almodóvar conta a história familiar trágica de Richard Legrand. Richard tenta, aos poucos, se recuperar das suas perdas familiares: primeiro, sua esposa, essa que se suicidou ao se deparar com as marcas que o incêndio lhe deixou e, mais tarde, sua filha, que também se suicidou ao passar pela experiência traumática de um quase estupro.
Aos poucos, a trama estabelece as características principais desse personagem, traçando-o como um cirurgião plástico bem sucedido, com ideias avançadas para o seu tempo, porém perturbado com as tragédias vivenciadas. O tempo da narrativa é calcado, ironicamente, no ano de 2012, o nosso presente.
Obstinado com sua ciência, Richard inicia uma insaciável busca de construção da pele perfeita - um mistura de DNA humano com o de suínos - essa que poderia ter impedido o suicídio de sua esposa. Numa tentativa de se vingar do agressor de sua filha, Richard utiliza-se do corpo do rapaz para começar a colocar em prática suas teorias científicas. Concomitante a isso, ele busca construir, em sua imagem e perfeição, os traços de sua amada.
A referência analógica aqui estabelecida entre a criação de Richard e o famoso Frankestein está associada à relação estreita evidenciada entre criador (o médico/ cientista) e criatura (o chamado "monstro") e a tentativa iminente de se criar um super-homem, no sentido mais literal do termo, imune a qualquer dano epitelial.
A ideia de monstro é, na maioria das vezes, associada à criação de um ser artificial, a partir de um laboratório e não pelas vias caracterizadas "normais" de reprodução, isto é, entre um homem e uma mulher. Essa questão também fora colocada em voga quando se iniciou o aparecimento de clínicas de fertilidade e a possibilidade da fecundação de um óvulo sem a necessidade do ato sexual. A inseminação artifical ou a fertilização in vitro ainda é vista por muitos conservadores como um ato moralmente inaceitável, já que coloca seres humanos na condição de mercadorias a serem fabricadas.
Mas o trunfo de A pele que habito (e, sem dúvida, de Almodóvar) não é questionar sobre a monstruosidade ou não do ser criado artificialmente. Já é sabido da identificação e relação estreita que o diretor possui com as temáticas sobre gênero e sexualidade. Ao transformar cientificamente um homem em uma mulher, Almodóvar adentra, direta e indiretamente, no universo da transexualidade, ou seja, na possibilidade da mudança de sexo, questão muito debatida e já realizada nos dias atuais. Quebrando qualquer discussão que possa permear o senso comum, Almodóvar possibilita a reflexão sobre a dor de não ser aquilo que se deseja ser, já que produz um ser que não se identifica com o corpo que habita, ou seja, um transexual. Por fim, nos diálogos finais, o diretor ainda aponta, mesmo que rapidamente, a dificuldade que é de possuir um corpo no qual, biologicamente e socialmente, é identificado por suas características formais e superficiais, sem se levar em conta o psicológico do sujeito, isto é, como ele se imagina ser.
A genialidade de Pedro Almodóvar repousa no âmago das questões em que ele se habilita a discutir, além da mescla de gêneros e dos sistemas de referências que se utiliza para realizar tal ação. No momento atual, A pele que habito (2011) se caracteriza como uma obra-prima pela coragem, primazia e sensibilidade em que trata as polêmicas das problemáticas da contemporaneidade.

Trailer de A pele que habito
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domingo, 25 de março de 2012

Realidade ou ilusão? Com vocês, apresento Mais estranho que a ficção!

A película de hoje oferece uma reflexão óbvia sobre o nosso cotidiano contemporâneo:  Carpe diem! Aproveite a vida, da melhor forma possível, já que ela é - ou pelo menos deveria ser - bela. Blá, blá, blá. Essa lição de moral já está óbvia demais nos dias de hoje, certo? Errado! Contada de forma certa, no equilíbrio entre o drama e a comédia, Marc Foster, diretor do primoroso filme Mais estranho que a ficção (2006) mostra que se pode abordar tais aspectos de uma forma irresistível, excêntrica e muito particular.


A trama conta a história de Harold Crick, um metódico e solitário auditor da Receita Federal e sua vida regradamente cronometrada e sistematizada nos mínimos detalhes. A rotina de Crick é tão ordenada que ele cronometra o tempo das atividades diárias mais simples: escovar os dentes, tomar café da manhã, pegar o ônibus para o trabalho, etc. Uma agulha folha desse palheiro sinaliza, para Crick, a desordem e caos total. Porém, certo dia, ao contar o número exato de "escovadas" que deveria realizar em seus dentes, o auditor começa a ouvir uma voz feminina, narrando detalhadamente seu ato. Nesse caso, tal voz estaria realizando o papel de narradora de uma obra literária. Como um clímax preliminar dessa narrativa, a narradora deixa escapar que os dias de Crick estão contados, deixando-o intrigado com essa situação.
Antes de supor que esse é mais um filme cult que "não se tem pé, nem cabeça", a produção ganha sustentabilidade por meio de seu roteiro. A trama, a partir daí, é belamente traçada, atando todos os pontos desse mistério: o aparecimento da famosa escritora que desesperadamente se coloca à procura de seu feeling literário, o professor de literatura que auxilia Crick na resolução desse mistério, a nova e arrasadora paixão do auditor, Anna, a confeiteira, e, um personagem pra lá de secundário - talvez o único ponto negativo da produção - a assistente da escritora que a ajuda a se livrar do bloqueio artístico, interpretada pela talentosa - porém, mal utilizada - Queen Latifah.
Ao lado do inebriante roteiro, as atuações também são primorosas. Maggie Gyllenhaal, com toda sua delicadeza e suavidade parece nos explicar muito bem porque Crick apresenta tamanho encantamento por Anna Pascal. Emma Thompson, na personagem da escritora-narradora Kay Eiffel, apesar dos trejeitos caricatos exagerados mostra que a publicação de sua obra é, de fato, um caso de vida ou morte - da sua vida e da morte de seu personagem. Dustin Hoffman faz o professor de literatura e seu sarcasmo intelectualizado adiciona ao filme uma excentricidade única, conduzindo o espectador trama à dentro na busca pela resolução do mistério de Crick.
Por fim, com uma interpretação precisa e risivelmente séria, Will Ferrel, no papel de Harold Crick, parece deixar de lado o riso escrachado que sempre procurou provocar. Caminhando na trilha de atores cômicos como Jim Carrey, Ferrel buscou encontrar seu caminho dentro dessa trama pautada pela reflexão filosófica em torno da irônica existência humana. Mais estranho que a ficção, é risivelmente dramático e autorepresentativo, já que todos nós, no fundo, no fundo, nos parecemos com Harold Crick. Sem dúvida é uma boa pedida para esse fim de tarde de domingo.

Trailer do filme Mais estranho que a ficção


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domingo, 18 de março de 2012

A autocracia irracional: a contaminação de A onda

Enfim, a estreia do primeiro post de 2012.
Como sugestão de um leitor, acrescentarei à trilogia indicada no post "Cinema e história: socialismo, capitalismo e os ideais (revolucionários ou não) de felicidade" o filme A onda (2008).


A onda (em alemão é Die Welle, em inglês The Wave) simboliza a concretude dos anseios de práticas políticas desvirtuadas no coração de uma juventude desvairada. Sendo tambem uma produção cinematográfica alemã, a película busca tratar criticamente os efeitos sociais causados por práticas governamentais autoritárias que seu país já vivenciou. O diferencial do filme é a trama, essa que se agrega ao âmbito educacional, levantando possibilidades de como se trabalhar temas políticos em sala de aula de uma forma mais prática, mais vívida. O problema é quando a prática é tomada em sua forma concreta na vida realmente dita, na qual alguns não conseguem dissociar o aprendizado de seus próprios anseios pessoais. Digo isso, pois a trama evidencia uma das características mais polêmicas do meio social e cultural: o poder da manipulação.
Mas vamos por partes e começar, é claro, do início. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de um professor de segundo grau - Rainer Wenger - que, em uma disciplina de curta duração, recebeu a difícil tarefa de trabalhar o tema Autocracia. O assunto se mostrava pouco atrativo aos alunos e, como estratégia, Rainer buscou aliar sua simpatia e carisma com os educandos a uma aula mais prática do que teórica. A ideia era mostrar aos alunos que, para um sistema governamental ser capaz de se gerir através de um único detentor do poder, torna-se preciso seguir certas regras para conseguir, com êxito, penetrar no jogo político e nas mentes e corações da população. Para tanto, o professor se utiliza dos signos dos principais governos autoritários da história: o nazi-fascismo. As primeiras dessas regras seriam, respectivamente, a Ordem e Obediência em torno da figura do futuro líder. No caso, como fruto dessa aula prática, o "poder pela disciplina" deveria ser imposto conforme o sistema hierárquico da própria sala de aula, ou seja, o líder seria encarnado na figura do Professor Rainer. Proclamado líder, o professor segue fomentando as indicações dos próprios alunos, esses que sugerem, a fim de se obter identidade e unicidade para o grupo, várias outras regras, tais como: um Nome (A Onda), um Símbolo (a própria onda desenhada por um dos alunos e destacada com a cor vermelha, como mostra o cartaz do filme), uma Saudação (o sinal da onda feito com as mãos) e um Uniforme (camisa ou camiseta de cor branca).
Em sala de aula, o professor vê o resultado concreto de cada pequena imposição sugerida nos ânimos acalorados dos alunos. Porém, tal prática expressa também várias consequências, já que o grupo rapidamente se dissipa na escola e os jovens começam a discriminar qualquer um que não faça parte ou que não compartilhe da mesma ideologia. O grupo se torna um movimento coletivo marcado pela irracionalidade dos jovens-membros em benefício a uma suposta ordem, união e identidade. No fim, a película encontra seu clímax, evidenciado pela tragédia quando Rainer tenta acabar com o movimento, mas é questionado por um de seus mais fervorosos seguidores.
Com a direção firme e competente de Dennis Gansel, a interpretação segura de Jurgel Vogel - o professor Rainer - e o roteiro envolvente de Peter Thorwarth, o filme se apresenta como uma pequena-grande surpresa da indústria cinematográfica alemã. Pequena se levarmos em conta a grande quantidade de obras que abordam questões relativas a esse período histórico. O adjetivo grande valeria aqui pela iniciativa de abordar, em aspectos mais didáticos e práticos, uma crítica social tão pertinente à sociedade daquela época, mas também a nossa, contemporânea, dos dias de hoje. Essas características se expressam através da proposta de pensamento acerca da homogeneização da população contemporânea e sua consequente massificação, pela mídia e também por si própria, pois afinal há aqui também o tal do livre arbítrio sobre essa prerrogativa. Refletir sobre a possibilidade de eclosão de uma ditadura dentro de um país democrático e os mecanismos pelos quais essa poderia se enveredar é uma ideia ainda pouco explorada nas artes ou até mesmo na intelectualidade. O receio em torno dessa questão parece afastar - direta ou indiretamente - qualquer possibilidade que possa existir.
Por fim, a obra mostra a necessidade latente dos jovens da sociedade contemporânea em se identificar - em busca de integrações sociais - mostrando-se, por vezes, altamente influenciáveis, principalmente quando se contagiam com máximas de grupos que visam práticas violentas e discriminadoras, como os skinheads.

Trailer do filme A onda

A história é inspirada nos fatos verídicos de um professor de história que em 1967, na Califórnia, propôs aos seus alunos um movimento batizado de A terceira onda. Seu objetivo era evidenciar aos educandos como o povo alemão certamente não tinha a dimensão da tragédia do Holocausto, dado a sua condição de sujeito "manipulado". Objetivando elevar o poder pela unidade, o professor instigava os alunos através das máximas "força pela disciplina, força pela comunidade, força pela ação, força pelo orgulho". Caso queira saber mais sobre essa história real, acesse esse link do Café História e confira uma entrevista com o professor californiano que realizou essa experiência com seus alunos.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Secret Window - Janela secreta

Mais um drama psicológico de tirar o fôlego. Assim como em Cisne Negro, o protagonista arrasa na atuação, essa que é realizada pela execução do papel de um escritor de sucesso, Mort Rainey (Johnny Depp). A produção é uma adaptação do livro de Stephen King, Secrete Window, Secret Garden. Diga-se de passagem, Janela Secreta, de 2004, é uma adaptação muito bem feita. A partir da atuação de Johnny Depp, a película consegue passar e deixar aquele sentimento de suspense no ar, característica marcante de Stephen King. Mort Rainey é um escritor de suspense famoso, mas que passa por alguns problemas pessoais. Com a traição da esposa, o divórcio e o bloqueio intelectual/ literário, Mort passa a estrelar seu próprio drama, uma bipolaridade literal. Depp conduz a trama magistralmente, concentrando toda a atenção da produção em sua arrepiante atuação. A graciosidade de seu humor confere a película uma característica singular, única, já que dificilmente se faz presente em produções como essas. O cabelo loiro cuidadosamente desajeitado, sem dúvida, é um dos fatores risíveis do filme e do personagem inconsequente de Depp. O ator consegue combinar charme, humor, suspense e loucura num mesmo personagem e ainda deixá-lo simpático aos olhos do público. Por fim, o filme também traz à tona um elemento bastante discutido no meio acadêmico atual: o plágio. O escritor Mort tentará, ao longo de toda a trama, entender e se defender da acusação de plágio sofrida por um fazendeiro texano pra lá de estranho: o durão Shooter.
Voltando, aos poucos e devagar, do hiato aqui no blog, recomendo essa produção. Um dos filmes preferidos e indicação de Patrícia Correa.

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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Black Swan (Cisne Negro)


Pensando na premiação cinematográfica oferecida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles, sob o signo da famosa e visada estatueta, publicarei resenhas críticas (e o link para downloads) das principais indicações dignas de Oscar. O escolhido para estrear a sessão foi Cisne negro. 

Cisne negro (2010) dirigido por nada mais e nada menos que Darren Aronofsky, explora, como não podia deixar de ser, os limites humanos. O diretor começou a ganhar destaque no universo cinematográfico depois da recepção do surrealista e impressionista PI (1998) (isso mesmo, o número matemático que expressa o valor de 3,1415...) e do psicodélico (e aclamado no mundo cult) Requiém for a Dream (Requiém para um sonho - 2000). Assim, Cisne negro trabalha sob uma perspectiva semelhante: a história da bailarina Nina, uma garota que sofre com a proteção excessiva da mãe e com seu perfeccionismo. Mesclado a isso estão as alucionações frequentes da garota que tramitam entre os limites do real, irreal, surreal e imaginário. Ser bailarina já é uma tarefa árdua que exige uma disciplina incomum, excessiva, além de forçar os limites físicos de qualquer pessoa. Além disso, há a pressão oriunda do próprio mundo artístico - competitividade entre bailarinas - da mãe e a do diretor, esse que exige que Nina sinta, viva e liberte seus desejos reprimidos. O diretor, Thomas e outra bailarina, Lily, envolve Nina numa teia de erotismo e prazer, confundindo ainda mais a garota e potencializando suas paranóias. Além disso, após ser selecionada para o papel principal da peça Lago dos Cisnes, Nina tem de enfrentar  seus próprios medos e angústicas provocados pela sina de ser, em sua concepção, imperfeita. Tanto na peça quanto no filme, o cisne branco e o cisne negro são faces de uma mesma pessoa, mas com características totalmente diferentes, antagônicas. Nina se encaixa no perfil do cisne branco, contida, correta, doce e inocente, enquanto Lily, que também almeja o papel, representaria, dessa forma, o cisne negro, pois demonstra maior leveza, liberdade, ousadia e sensualidade. No começo da película, a insegurança e apatia da personagem provoca certa morosidade a trama, porém Nina cresce ao longo do filme e ganha força, graças a belíssima e comovente interpretação de Natalie Portman. Portman, de fato, se entregou a personagem e, mais uma vez, assim como em Closer, trouxe a trama toda para si, concentrando a atenção do telespectador para os problemas psicológicos de sua personagem.
Essa produção, além do roteiro, têm outras qualidades: a cenografia e a fotografia são bem construídas e bonitas esteticamente. Mais uma vez - porém menos que em Pi - o diretor investe no figurino, maquiagens e cenografia em tons de cinza, branco e preto, privilegiando assim, o ar sombrio do terror psicológico e suspense que a trama provoca. A técnica fílmica utilizada pelo diretor também é brilhante, pois ele lança mão de recursos para intensificar a sensação de perseguição da personagem, como a cena que mostra Nina se refletir em diversos espelhos, com reflexos diferenciados. Aliado a isso, está a belíssima forma com que a peça de balé é mostrada, essa que transportada para a sétima arte, é agradável de ser apreciado. Aqui, a atuação de Portman faz toda a diferença, já que a atriz consegue mesclar passos delicados de balé, seu ar doce e inocente com uma interpretação dramática e, por vezes, psicótica.

Ps: Sempre olhei com certo preconceito esses filmes concorrentes ao Oscar e acho que esse fato fez eu me surpreender ainda mais com essa produção. Uma ótima indicação para uma tarde cinzenta de domingo como hoje.

Cisne Negro

5 indicações ao Oscar:

Melhor filme
Melhor diretor
Melhor atriz
Melhor fotografia
Melhor edição 

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tempos de Paz


E viva o cinema nacional! Daniel Filho se superou dessa vez. Está certo que Tempos de Paz é um mérito muito mais de seus protagonistas, Tony Ramos e Dan Stulbach, do que, propriamente, do diretor. Porém, Daniel Filho - o mesmo das tramas novelísticas de Se eu fosse você 1, 2 e o futuro 3,  - teve a sensibilidade de projetar para o cinema a aclamada peça teatral estrelada pelos mesmo atores, Novas diretrizes em Tempos de Paz. Além disso, o filme teve um orçamento de baixo custo (1,5 milhão de reais) e  foi  gravado em apenas 10 dias.
Tempos de paz apresenta um enredo histórico, pois retrata a ditadura varguista, o Estado Novo, que compreendeu os anos de 1937-1945. O filme trabalha bem as questões que caracteriza uma ditadura: censura, perseguição, tortura, prisões e, principalmente, a violência física e psicológica decorrentes do período. Esse é um ponto positivo da trama, uma vez que, na história brasileira, a ditadura varguista sempre ocupou um lugar secundário se comparado a militar, seja pelo tempo menor em que vigorou ou, talvez, pela política "populista" (via criação de uma legislação social e trabalhista) empregada por Vargas que, de certa forma, camuflou tais aspectos totalitários. Digo secundário no sentido de que, por vezes, a violência desses períodos são colocados em uma balança e comparada, atitude essa que deixa de considerar importantes nuances do contexto histórico em que lhes são referentes. Ora, a violência, seja ela em maior ou menor grau, não deixa de ser alarmante por isso. Um regime ditatorial, sendo esse militar ou não, fere, além dos nossos direitos "democráticos", (as aspas são totalmente válidas, principalmente quando pensamos que se vivessemos numa democracia de fato, o voto e o alistamento militar não teriam que ser necessariamente obrigatórios) as liberdades pessoais do indivíduo, necessitando, para tanto, o uso de uma força desmedida, violenta, para se manter a "ordem".
Mas voltando ao filme, como disse, a trama retrata muito bem esses aspectos. Ela traz a história de Segismundo e Clausewitz, dois sujeitos totalmente opostos, cujas histórias se encontrarão no meio de um interrogatório da imigração.  O título do filme, Tempos de Paz, refere-se ao fim da Segunda Guerra Mundial e a adoção de novas diretrizes políticas para o momento. Segismundo, ex-torturador e oficial da polícia do governo, por exemplo, já tinha sido remanejado para o Departamento de Imigração em funçao do conflito.  Sua missão, na alfândega, seria empregar uma política de "caça aos nazistas e aos comunistas". Entretanto, com o cessar dos canhões, esse seu trabalho, novamente, já não fazia mais sentido para o governo brasileiro.  Sentia-se como se seus serviços que ora foram tão valorizados, já não eram mais úteis ao regime. Aliás, um dos ponto altos da película é a forma com que Segismundo (Tony Ramos), já como ex-oficial da polícia de Vargas, conta, com uma frieza ímpar, alguns do processo de tortura que empregou. Assim, nesses novos tempos, Segismundo passa a temer também uma possível vingança dos prisioneiros que torturou.
Clausewitz ao aportar em terras brasileiras fica maravilhado com a possibilidade de uma vida nova no estrangeiro. Na alfândega, seu erro foi recitar, de forma emocionada, um poema de Drummond, pois além de explicitar certo domínio pela língua portuguesa, ainda deixou intrigrado o agente da imigração, pelos dizeres  de O poeta é um fingidor - Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Clausewitz foi levado para o interrogatório. O interrogador? Segismundo.  Ele fez de Clausewitz seu último caso na alfândega. Como seu passaporte atestava que era agricultor, Segismundo começa a desconfiar do polonês pelas mãos lisas que apresenta e também pela inexistência de bagagens. Clausewitz, porém, não tem nada a oferecer além de suas memórias manchadas pela guerra. Num jogo de diálogos interessante, Tony e Dan, enquanto atores, envolvem-se no drama, com atuações pra lá de excepcionais.  Nesse contexto, o surpreendente acontece: o monólogo de Dan, de fato, faz chorar.

Abro um parênteses. Caro leitor, se durante sua sessão cinema o papel exercido por Dan lhe intrigar, lhe trazer dúvidas como: - Isso não me é estranho... Fique tranquilo! De fato, o Clausewitz muito te lembrará Viktor Navorski em O Terminal. Ou seja, não será só a semelhança física entre Dan Stulbach e Tom Hanks que te perturbará, mas também a semelhança dos papéis e do roteiro apresentado sobre o personagem. Fecho parênteses.

Emocionante e teatral. Essas são as características do filme. Recomendo a todos aqueles que clamam por grandes atuações e belas produções.


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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cinema e história: socialismo, capitalismo e os ideais (revolucionários ou não) de felicidade

O cinema alemão tem investido cada vez mais nas temáticas sócio-revolucionárias, recheadas de críticas ácidas tanto ao capitalismo quanto ao socialismo. Além disso, tais enfoques buscam debater também sobre a quebra e mudança de valores, paradigmas e ideais de igualdade na sociedade contemporânea.  Antes de listar alguns deles aqui, é preciso abrir um parênteses sobre qual socialismo e capitalismo as películas retratam. Primeiro, é preciso se ater que aquele socialismo defendido por tantos e tantos jovens nos anos de 1970/80 não se concretizou, uma vez que a política violenta de Stalin desiludiu e castrou as liberdades pessoais de grande parte dessa geração. Dessa forma, os filmes que irei abordar buscam, justamente, apontar severas críticas a política socialista-stalinista e a abertura da Alemanha Oriental ao capitalismo. Quanto ao capitalismo, é preciso lembrar que esse, naquele momento, se encontrava em seu estágio de reconstrução, ainda muito longe do poder e influência que alcançou hoje, graças as práticas políticas que, de certa forma, incentivaram esse processo, como o neoliberalismo. 
Ao pensar nesse post, uma indagação me surgiu: quando pensamos em duas propostas políticas e econômicas tão antagônicas como o socialismo e o capitalismo, qual é a fronteira que delimita o que, de fato, é conservador e o que é revolucionário? Se vivemos num regime mediado pelo capital, aqueles que assim o defendem, dessa forma, são os conservadores. Mas se vivessemos numa época baseada em alguns dos princípios do socialismo, os socialistas seriam assim os conservadores? Ou seja, o conceito de conservadorismo, por exemplo, é inócuo, vazio, oco e de nada serve, pois, ao final, ele sempre jogará ao lado de quem está ganhando...

Enfim, ironias a parte... Durante a apreciação crítica dessas obras busquei, a todo instante, evitar certos anacronismos não só temporal, mas também ideológicos. Porém, isso não implica no fato que você, caro leitor, não possa ter uma visão diferente da minha, aliás, isso somente enriqueceria ainda mais o debate. Sendo assim, esteja a vontade para fazer qualquer objeção que achar necessária...

Vamos aos filmes...


Cronologicamente, Adeus Lenin! (Good Bye Lenin!), realizado em 2003, estréia o bloco de filmes inteligentes, bem construídos e historicamente datados na Alemanha Oriental e nos bastidores da queda do Muro de Berlim. A película navega entre o drama e a comédia, já que seu enredo é conduzido com uma sutileza humorística digna de nota. Afinal, me pergunto: Como o adolescente Alexander poderia contar para sua mãe que todos os ideais que ela tanto acreditara caíra por terra, juntamente com o muro de Berlim, enquanto esteve em coma? Nesse sentido, Alex passa a criar, para a mãe, uma ficção da Alemanha Oriental de outrora, essa que já começava a sinalizar positivamente para o capitalismo, por meio de bandeiras e outdoors de grandes empresas, como a Coca-cola. E é nessa busca incessante de Alex por produtos, roupas, acessórios dos tempos idos que o riso é proporcionado, no esforço do jovem em preservar sua mãe de emoções fortes que pudessem abalar seu fraco coração. O filme possui uma trilha sonora excelente e a trama, como já ressaltei, muito bem conduzida e trabalhada, proporcionando ao telespectador a reflexão sobre as mudanças sociais - de comportamentos, hábitos, enfim - provocadas pela queda do Muro de Berlim, essa que simbolicamente retratou a entrada da Alemanha Oriental na "sociedade do espetáculo" incentivada pelo consumismo oriundo do capitalismo.
  
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Em 2004, surge no universo cinematográfico Os educadores, (The Edukators). Daniel Bruhl aparece agora personificado como Jan (e não mais como Alexander de Adeus Lenin!), um jovem idealista que realiza protestos pacíficos com seu velho amigo Peter e, mais tarde, com a bela Jule. Auxiliados pela profissão de Peter - instalador de alarmes - os amigos iniciam uma série de invasões de domicílio cujo intuito principal é provocar medo, ou melhor, mostrar que mesmo em meio a tanto dinheiro, essas pessoas não ficam imunes a insegurança. Para tanto, esses educadores do mundo contemporâneo criam frases de efeito, como Seus dias de fartura estão contados. O belo e interessante dessa produção concentra-se nos diálogos empregados por meio de dois discursos antagônicos - um revolucionário e outro conservador - ou melhor, o dos três jovens e o do senhor raptado em uma das invasões que fracassou. Nessas conversas podemos identificar os velhos e ainda fracos argumentos que muitos ainda utilizam para defender um ideal, tipo "Eu paguei por tudo que tenho" ou então, do outro lado, "as crianças asiáticas trabalham como escravas para que pessoas como você tenha um carro como esse" e por aí vai. Porém, no decorrer da cena, em meio a tanto confronto, os dois grupos fornecem uma trégua um a outro, proporcionando que seus interlocutores passam a ser, dessa forma, mais ouvidos. Assim, os dois grupos, gradualmente, começam a perceber que há muito mais nos outros do que possam imaginar, questão essa que é evidenciada na cena na qual o senhor se identifica, em partes, com algumas ambições idealistas dos jovens. O final não é tão previsível assim como se pode imaginar...

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Para finalizar, não menos importante é o belíssimo A vida dos outros (Das lebens der anderen), de 2006. De forma similar ao Adeus Lênin, a trama também se concentrará na Berlim Oriental pré e pós-queda do Muro de Berlim. Porém, a atenção agora concentra-se na Stasi, a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, essa que mantinha uma política agressiva de fiscalização e perseguição a todo e qualquer cidadão que se opusesse ou criticasse o Grande Irmão, ou melhor, o regime em vigor. Um dos pontos altos desse filme é abordagem sobre as práticas de corrupção que se fizeram presentes no regime socialista, essas que, embora privilegiassem, de certa forma, o Grande Irmão, também eram empregadas com o fim de obter benefícios particulares e individuais. Além disso, outro ponto auge é a amostra do lado humanitário desse regime marcado por censuras, perseguições, torturas e mortes. Aqui, o grande destaque é a atuação brilhante do capitão da Stasi, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), quando recebe a missão de vigiar e investigar o casal Georg Dreyman (Sebastian Koch), importante dramaturgo e sua namorada Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), famosa atriz de teatro. A partir daí o filme é envolvido por um clima de suspense a la Hitchcook, já que Wiesler começa a se envolver cada vez mais com o romance e dia-a-dia do casal. Não apenas como policial, mas também como voyer, Wiesler se esforça para cumprir sua missão e, ao mesmo tempo, saciar suas curiosidades pessoais sobre a vida do casal.



Para baixar é só clicar no link do filme.

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domingo, 26 de setembro de 2010

Histórias de amor duram apenas 90 minutos

Está aí mais uma produção brasileira que busca traçar uma nova identidade visual e temática para nosso cinema. Histórias de amor duram apenas 90 minutos se estabelece como uma crônica de costumes do mundo contemporâneo. Zeca (Caio Blat), escritor de meia-idade, está na crise dos 30 anos e com um romance que não consegue passar da página cinquenta. Para o pai, Zeca não cresceu e é justamente nesse ponto existencial que o escritor busca trabalhar em suas obras. Zeca é casado com Julia (Maria Ribeiro), uma mulher que é o seu avesso: totalmente decidida e bem sucedida profissionalmente. O relacionamento começa a se abalar quando Zeca suspeita da traição da companheira com uma ex-aluna, Carol (Luz Cipriota). Nesse ponto, o filme trabalha muito bem a questão do fetiche e do ego masculino, não só quando retrata a suposta traição - o anseio pelo conhecimento do rival, o que ele/ela tem, que eu não tenho? -, mas também a atração imediata pelas belas curvas de uma mulher sexy. É certo que a atriz que interpreta Carol força um pouco a barra e o sotaque argentino para dar charme e sedução a sua personagem, mas a atuação precisa de Caio Blat compensa esse excesso. A graça do enredo fica na narração descontraída feita pelo personagem interpretado por Blat, esse que se permite rir da própria "desgraça". O filme tem um final ótimo, apesar que pode irritar aqueles que não consegue respostas as indagações que a película sugere. Fica a dica!

Para fazer o download do filme em RMVB*, clique no titulo do post.

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Os filmes no blog são todos em RMVB para facilitar o download pra galera e também para ocupar menos espaço no PC. Porém é preciso ter um player, como o Real Player, que suporte essa extensão do arquivo. Sugiro o Media Player Classic, pois ele é rápido, suporta várias extensões de arquivos diferentes e é leve para o PC. Entre no http://www.baixaki.com.br/download/k-lite-mega-codec-pack.htm e baixe o arquivo para assistir o filme!

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domingo, 19 de setembro de 2010

Do começo ao fim


Eu te amo porque...
Pra entender esse nosso amor, seria preciso virar o mundo de cabeça pra baixo...

Polêmico. Amor incondicional. Um dos filmes mais comentados e esperados desse ano, Do começo ao fim trata da história amorosa e familiar de Francisco e Thomás. Está certo que, depois de lançado, a crítica caiu em cima do filme. Nem tanto pelo incesto que retrata, mas pela lentidão do enredo. Francisco e Thomás são meio-irmãos e são filhos da médica interpretada por Julia Lemmertz, companheira de cena de Fábio Assunção. Na época, ainda corria os boatos que o galã global não iria participar das filmagens em função do vício pelas drogas. Mas ele fez, não teve atuação brilhante, sua aparição se deu com poucas falas e cenas corriqueiras. Julia, pelo contrário, traz seu charme e elegância e fornece ao filme uma graça singular. O roteiro deixa muito a desejar quando propõe a tratar sobre incesto e homossexualidade e sequer sugere a experimentação da sexualidade entre os dois garotos, tampouco o debate familiar sobre aquele sentimento entre os irmãos. Nas primeiras cenas, nada mais do que carinhos e cuidados são mostrados. Da infância, o enredo salta significativamente para a vida adulta dos personagens, deixando uma lacuna que o telespectador não consegue preencher mentalmente, tipo: o que teria acontecido naqueles anos? O roteiro perde ainda mais pela má atuação dos atores que interpretaram Thomás, quando criança e adulto, esses que forneceram pouca dinamicidade e muita artificialidade as cenas e  foram carregados pela atuação mediana dos atores que fizeram o papel de Francisco. A idéia, no entanto, sem dúvida era ótima. Uma das frases mais bonitas e marcantes do filme é essa que eu elenquei para o começo do post. Entender um sentimento como esse, sem dúvida, não é fácil, é necessário quebrar muitos paradigmas pessoais e sociais para isso. O ponto positivo é a evolução da variedade temática do nosso cinema nacional, esse que se configura de uma forma bem diversa daquela crítica social sobre a violência  (que já tinha virado carne de vaca, prontofalei) retratada em filmes como Cidade de Deus, Carandiru, Cidade baixa, entre outros. Fica a dica! :)

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Leitor (The Reader)

Romance, mistério, drama. Filme e livro. Cenário: Alemanha, pós-2º Guerra. Algumas das temáticas que o filme abrange: o Holocausto e o analfabetismo. O leitor, dirigido por Stephen Daldry, de As horas é um filme emocionante, porém, como qualquer outro, tem seus autos e baixos. Um dos pontos fracos do filme é a irregularidade que o roteiro se desenvolve. Situo-o em duas partes: a primeira apresentada por meio do romance entre Hanna e Michael em suas "juventudes curiosas" e a segunda quando os dois já se encontram em idades mais avançadas. As aspas da expressão acima refere-se ao comportamento dos personagens. A descoberta mútua de Hanna e Michael é envolvente e sedutora: a curiosidade e o desejo de conhecimento operam seus anseios. Hanna deseja absorver ao máximo a leitura proporcionada por seu amante, uma vez que não sabe ler, nem escrever. Michael, por sua vez, é coordenado pelos estímulos sensoriais e emocionais proporcionados pela experiência sexual com uma mulher mais velha. A narrativa é conduzida de forma brilhante: leve, lírica e repleta de sedução. Outro ponto que contribui é o cenário, o filme foi todo filmado na própria Alemanha, buscando dar um aspecto ainda mais real do pós 2º Guerra.
Porém, vem a segunda parte do filme. Na verdade, a primeira é apenas uma lembrança  retirada da memória do já maduro Michael. O jovem Michael, interpretado de forma excepcional pelo quase inexperiente Bruno Ganz, deixa lugar a um Michael amargurado, que não sabe nem seu lugar no mundo ao certo. Sua interpretação é feita por Ralph Fiennes, esse que deixa muito a desejar. Já a sedutora Hanna está sob os comandos de Kate Winslet. Já falei muito de Kate por aqui e seu crescimento profissional pós-Titanic é digno de se tomar nota. Porém, Kate parece afundar junto com Fiennes na interpretação de Hanna ,pós-julgamento, além de dar lugar a uma senhora de idade que não possui traços nenhum dos anos idos. Mas vocês devem estar se perguntando: onde é que o Holocausto entra nessa história? Bom, se eu contar isso acabaria com os mistérios que o filme abarca. Porém, asseguro-os que não é mais uma produção sentimentalista sobre o Holocausto, que busca apontar mocinhos e bandidos da história. Na verdade, essa temática é um pano de fundo do filme. Seu ponto forte é proporcionar uma reflexão sobre os dois lados do episódio: dos familiares da vítima, aos entes dos acusados.
Pelas brilhantes cenas proporcionadas por Hanna e Michael (Kate e Bruno,) recomendo o filme! Por fim, é interessante a forma que o filme retoma alguns dos grandes clássicos da literatura universal. Confesso que após assisti-lo, deu até vontade de relê-los. Se eu tivesse tempo...

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Seven pounds (Sete vidas)


Mais uma vez, Will Smith arrebenta. Assim como em A procura da felicidade (2006), Sete vidas (2008) emociona. Não poderia ser diferente, já que a direção também é feita pelo cineasta italiano Gabriele Muccino. O filme tem uma cronologia interessante, já que inicia-se pelo telefonema de Ben Thomas (Will Smith) comunicando seu próprio suicídio. A partir daí, o tempo do filme retrocede mostrando a busca incessante de Ben por pessoas merecedoras de seus órgãos. No meio dessa busca, surge entre uma cena e outra o passado que o atormenta: o acidente de carro causado por ele e que teve sete vítimas, dentre elas, sua própria esposa. Atormentado com a culpa, Ben testa as pessoas para saber se elas são dignas e boas o suficientes para receber um presente. Por meio da identidade de fiscal de imposto de renda do irmão, Ben consegue obter dados e informações sobre essas pessoas. Entretanto, ao se aproximar de Emily Posa (Rosaria Dawson), uma tipógrafa com problemas cardíacos, Ben fica encantado com o charme, beleza e delicadeza da moça. Um breve, mas profundo romance acontece aí. Breve, porque Ben tem um relógio contra ele, afinal, Emily tem poucas semanas de vida. Logicamente que pra fazer tudo isso, Ben contou com a ajuda de um amigo, esse que ficaria encarregado de doar seus órgãos após seu óbito. Parte do pulmão já tinha sido doado ao seu irmão. O rim, a medula e parte do fígado ainda foram feitos em vida. Ben ainda doou sua casa para um família que era constantemente agredida pelo pai. A procura estava pelos merecedores de sua córnea e coração, totalizando assim sete vidas que seriam mudadas por Ben. E foram...


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terça-feira, 11 de maio de 2010

Precious (Preciosa - Uma história de esperança)

 
Depois de uma semana de ausência, trago aqui um enredo comovente. Ou melhor, uma história emocionante, chocante, real. Serve para aqueles que reclamam da vida sem ter, de fato, do que reclamar [como eu]. Preciosa, de 2009, traz a vida de Clareece "Precious" Jones, uma jovem sonhadora que mora no Harlem, EUA. Sua vida não é nada fácil. Precious é uma jovem negra e obesa, características essas que, por preconceitos alheios, tornam difícil seu convívio social. Além disso, ela é constantemente violentada sexualmente pelo pai e, menosprezada moralmente pela mãe. Como resultado, Precious teve uma menininha com síndrome de down que está sob os cuidados da avó. Porém, Precious engravida novamente, o que, por sua vez, complica sua situação na escola em que estuda. A minha melhor parte do filme está na associação que o diretor faz com os flashes de violência sexual  e moral com os sonhos da garota em ser uma famosa atriz de cinema. O contraste das realidades é gritante, o que nos faz criar ainda mais empatia pela personagem. Bom, não darei maiores detalhes, pois acho que a quantidade de tragédias presentes na vida da garota já é suficiente pra chamar atenção e interesse de qualquer um para assistir a esse filme. Para além desses aspectos "roteirísticos" está também a bela atuação da jovem Gabourney Sidibe, que interpreta Precious. Apesar de seus 26 anos, a garota convence muito bem em Precious, de 15 anos. Além disso, é de se admirar a forma brilhante em que interpretou o papel se levarmos em consideração que essa obra foi a estréia de Gabourney no mundo da dramaturgia. Não só ela, mas os outros papéis também foram muito bem feitos e interpretados. O filme é baseado no livro Push, de Saphiffe, publicado em 1996.

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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Breakfast at Tiffanys (Bonequinha de luxo)


Depois de me servir como "sonífero" por várias noites de extremo cansaço e de estafa mental, enfim, posto, aqui esse belíssimo clássico do cinema. Curiosamente, a tradução literal do nome seria Café da manhã na Tiffanys, menção referente, é claro, a primeira cena do filme, em que mostra a doce, elegante e bela Holly Golightly (Andrey Hepburn) voltando de uma de suas festas noturnas e se dirigindo para tomar seu clássico café preto e biscoitos e apreciar as vitrines da joalheria Tiffanys. A vida de Holly começa a ganhar um outro sabor quando ela conhece Paul "Fred" Varjak (George Peppard), um jovem escritor, gigolô, que se muda para o prédio de Holly. Andrey Hepburn faz um papel brilhante e consegue corresponder muito bem ao anseio pretendido pelo roteiro escrito por Truman Capote (mesmo que algumas características "verdadeiras" da personagem tenham sido "amaciadas", como é o caso da omissão da bissexualidade de Holly). O charme e delicadeza que entrega a sua personagem nesse romance moderno e urbano parece distrair o telespectador dos seus mistérios e segredos. Na verdade, Holly só quer vencer na vida e, por isso, tem a idéia fixa de se casar com um milionário. Logicamente, Holly é uma garota de programa, mas sua inocência é tão grande que nos faz esquecer da profissão que exerce. O charme de Andrey aliado à voz de Frank Sinatra é um encanto a mais no filme. Bonequinha de Luxo, de 1961, tem uma belezas plástica que impressiona. Destaque também para algumas cenas com belas fotografias, como aquela final em que os dois se beijam na chuva. Imperdível, assistam!

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Players for Bobby (Oração para Bobby)


"A religião convenceu mesmo as pessoas de que existe um homem invisível, que mora no céu, que observa tudo o que você faz, a cada minuto de cada dia. E o homem invisível tem uma lista especial com dez coisas que ele não quer que você faça. E, se você fizer alguma dessas dez coisas, ele tem um lugar especial, cheio de fogo e fumaça, e de tortura e angústia, para onde vai mandá-lo, para que você sofra e queime e sufoque e grite e chore para todo o sempre, até o fim dos tempos... Mas Ele ama você!"
George Carlin

A frase acima foi "pregada" pelo comediante e ateu George Carlin. De fato, concordo com George, esse Deus, pra mim, não existe. Essa passagem é importante pra pensarmos um pouco sobre o filme que trago hoje. Oração para Bobby, de 2009, se passa na década de 70 e traz a história verídica de um jovem de 20 anos, homossexual, que se suicida. O enredo é brilhante quando busca revelar os conflitos existenciais de Bobby quando ele está a descobrir e a experimentar sua sexualidade. Como se não bastasse, Bobby tem que lidar também com os ensinamentos religiosos conservadores de sua mãe. Mary Griffity, ao saber da sexualidade do filho inicia uma saga para tentar curá-lo desse "pecado" e trazê-lo de volta para o caminho da luz, da redenção. Essa busca pela cura incluiu sessões no psiquiatra, orações e mais orações para Bobby encontrar seu caminho "verdadeiro", bilhetes pregados pela casa com passagens biblícas, entre outras heresias. Desesperado pela aprovação da mãe, no início, Bobby aceita tudo que lhe é recomendado, a fim de evitar o sofrimento de sua família. Porém, Bobby começa a perceber que ele nunca conseguirá ser ou que não é e, assim, decidi viver sua vida, esperando que sua mãe aceite o fato com o tempo. Logicamente isso não acontece, pelo contrário, as coisas só pioram. A desaprovação da mãe, o terrorismo psicológico-religioso que atordoa o garoto, leva-o a cometer suicídio. Daí em diante o foco sai do jovem e se centra no personagem da mãe, interpretado pela maravilhosa Sigourney Weaver. Até então, o ódio é o sentimento que se nutre por aquela mulher que está cega pela religião e por um Deus que acredita, aquele que pune, castiga e manda as pessoas para o inferno. Ainda na sua cegueira, a mãe busca descobrir se o filho, mesmo gay, teria alcançado o céu ou então teria sido punido nas chamas do andar debaixo. Aos poucos ela começa a questionar sua fé e a partir daí já é possível sentir certa compaixão por ela. O debate entre ela e o reverendo com citações bíblicas que condenam a homossexualidade e a  possibilidade de outros tipos de interpretações é brilhante. A exposição de que a Bíblia é um livro escrito por mortais e interpretado pelos mesmos é interessante, uma vez que muitos a vê como um livro sagrado escrito pelo próprio Deus. Por ser baseado em fatos reais, o filme ganha mais emoção e um caráter dramático. Produção excelente!

George Carlin está certo quando ironiza a crença em um Deus que age como um feitor, pronto a nos dar chibatadas por nossos pecados. Porém, ainda acredito que um outro Deus existe. Não sei aonde ele mora, tampouco se ele me observa frequentemente. Mas isso é muito pessoal e polêmico e mesmo se eu tentasse descrever o que penso e sinto, talvez não seria suficiente. Portanto, essa é uma história que não cabe a mim contar aqui... A vocês, desejo-lhes apenas um ótimo filme. A qualidade não está lá essas coisas, mas acredito que, mesmo assim, vale muito a pena arriscar. Se desejarem, deixem suas impressões e comentários sobre a obra logo abaixo. Bom filme a todos!

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domingo, 2 de maio de 2010

Ridding in cars with boys (Os garotos da minha vida)


Discussões e humor: essa é a dose que está presente em todo seio familiar. Garotos da minha vida, de 2001, busca retratar justamente isso - os conflitos, enlaces, desenlaces, conciliações na família de Bev, interpretada pela belíssima Drew Barrimore. Bev é uma garota típica do interior dos EUA dos anos 60. Quando criança, a menininha possuía o sonho de ir pra um faculdade e ser escritora. Entretanto, nada sai como o esperado. Bev engravida aos 15 anos e tentando diminuir a decepção e vergonha de seu pai, decide-se se casar com o pai da criança. Mesmo levando uma vida diferente do que imaginava, Bev não desiste do seu sonho. Porém, mais uma vez, as coisas não sai como esperado, ora pelos "lapsos" de seu marido, ora porque tem que tomar conta de Jason, seu filho. O desenrolar dessa história é muito interessante, uma vez que a diretora Penny Marshall encontrou a dose certa na mistura entre drama e comédia. Drew é o destaque dessa linha tênue entre os dois gêneros que o filme abarca. Interpreta com maestria o olhar doce e irônico de uma criança/ adolescente aos 15 anos e, mais tarde, já com 35 anos, uma mulher adulta, mais madura, com toda a elegância que pudesse dispor. Interessante pensar que essa história aconteceu de fato, já que é baseado na vida real da escritora Beverly D'Onofrio. Por fim, o filme pode emocionar, sobretudo, na bela cena em que o pai de Jason se despede do menino e o garotinho corre ao banheiro em busca da escova de dente e sai gritando na rua dizendo que quer ir embora com ele. Muito bom!

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domingo, 18 de abril de 2010

Dorian Gray


Uma bela adaptação do livro O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Eu disse bela, mas não perfeita. De longe, o livro ainda "ganha" disparadamente do filme. Com essa produção, soma-se duas adpatações já feitas sobre o livro, uma de 1945 e essa, de 2009. Nessa, creio que houve faltas e exageros. O elenco é bom, sobretudo, o papel exercido por Colin Firth que faz Henry Wotton. O Dorian Gray, de fato, realizado por Ben Barnes, deixa um pouco a desejar. Sobrou beleza e faltou experiência para fazer um personagem dessa amplitude e densidade. A fotografia do filme e a trilha sonora são dignas de nota: excelentes. No entanto, tem algumas cenas que necessitariam de maior atenção na edição, como aquela em que, na mesma cena, uma câmera pega o ambiente todo iluminado e na continuação da tomada, muda-se a câmera e também a iluminação do cenário, mostrando um ambiente quase sem luz. Bom, o filme conta então a história do jovem e belo Dorian Gray. O rapaz se muda para a cidade e empreende uma amizade com Henry, esse que será uma influência determinante na vida de Dorian. Henry prega tudo aquilo que sempre desejou fazer, mas não pôde, seja por conta da sua idade ou por ser casado e tal. O Lord vai ser responsável por conduzir Dorian a experiências das mais diversas, endurecendo o coração do pobre rapaz. Porém, quando Basil faz um retrato de Dorian, sem saber, o artista aprisiona a alma do rapaz. Assim, Dorian se mantém com toda sua vaidade, beleza, juventude e ganância enquanto seu retrato, ou melhor, sua alma, é dotada de toda a podridão resultante dos seus atos e dos anos passados. Creio que houve excessos na apresentação das orgias. Porém, cinematograficamente, esssas cenas foram muito bem feitas, pois o expectador consegue curtir, junto com Dorian, o frenesi daqueles estímulos e sensações ora desconhecidos. Faltou um pouco mais de mistério, uma ar mais sombrio que está bem presente no livro de Wilde. Enfim, creio que não devo ser tão dura assim também nas críticas. Afinal, literatura e cinema são duas produções bem diferenciadas e com regras próprias, específicas a cada campo. O livro tem um tempo mais lento, mais analítico e cheio de detalhes, esses que, quando o cinema tenta captá-los não alcançam grandes êxitos, mesmo porque o filme possui um tempo mais acelerado de fluxo narrativo.  Mas, sem dúvida, esse exercício de análise entre uma produção e outra é importante de ser realizado, a fim de que possamos construir nossas próprias visões sobre as obras analisadas.

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sábado, 17 de abril de 2010

A CONCEPÇÃO

 

Os dramas da pós-modernidade. A concepção (2006), de José Eduardo Belmonte, conta a história de um grupo de jovens brasilienses, filhos de diplomatas, que decidem criar uma espécie de "clube", baseado nas normas de um tal "concepcionismo". Essa doutrina seria dotada de regras, sendo que uma delas e a mais intrigante, é a destruição das identidades pessoais e socias e a reinvenção dos sujeitos a cada dia. As regras foram reunidas no Manifesto dos Concepcionistas, pregando coisas como: morte ao ego, ser uma pessoa a cada dia, toda memória deve ser apagada, o dinheiro deve ser abolido, a humanidade está doente, o concepcionismo é caminho para cura, todo concepcionista é uma fraude que dura 24 horas. Plasticamente, o filme é muito bem feito, desde a iluminação, a seleção do elenco, quanto ao resultado de tudo isso, ou seja, as cenas, a fotografia, e assim por diante. O roteiro é despretencioso, não busca revelar os personagens em sua densidade, com exceção de "X", mentor do manifesto, figura enigmática. "X" é interpretado pelo baixinho, porém grandioso, Matheus Nachtergaele que mais uma vez dá um show de interpretação. Por ser dotado de segredos e dono de um passado desconhecido, "X" vai ser o único personagem melhor trabalhado na telinha. Mas não se anime pensando que irá conhecer os segredos dele, pois mesmo após o término do filme, você ainda ficará cheia de indagações na cabeça, do tipo: Qual é a dele afinal? 
Para aqueles que se animaram com a idéia de abandono de identidades, lembrem-se sempre que isso é ficção. É uma ficção bem diferente da vida real, afinal eles tinham pais cheios de dinheiro para bancar todo esse ato "subversivo", como também custear as orgias e as festinhas regadas a drogas que essa trupe armava. Mas, sem dúvida, não deixa de ser uma ótima produção fílmica, mas infelizmente pouco divulgada aqui, no Brasil. Essa produção é resultado do trabalho da Olhos de Cão, uma produtora que se dedica a fazer filmes de baixo custo e com temáticas polêmicas. Como nem todo mundo tem interesse nessas abordagens alternativas, produções como essas, por vezes, passam despercebidas do público.

Aqui estão os links para download: 

Dessa vez, o link para download não está no título. Como eu disse, esse filme teve pouca divulgação e até aqui na internet ele foi muito difícil de achar. Só consegui localizá-lo em pedaços, ou melhor, em partes e por meio do servidor RAPIDSHARE. É só clicar em FREE USER e aguardar o tempo necessário e clicar no local indicado para fazer o download. É tão simples como o MEGAUPLOAD, só é um pouquinho mais demorado. Além disso, os arquivos estão zipados e, portanto, necessitarão de um descompactador, como o 7-Zip File Manager. Siga as instruções: Baixe os arquivos separadamente. Clique na primeira parte do filme (part1.rar) com o botão direito do mouse e na guia '7-Zip' escolha a opção "Extrair aqui". O arquivo será descompactado automaticamente. Aí é só clicar no arquivo e assistir o filme.

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Irreversível


Um filme chocante. Incômodo, intrigante. A realidade nua e crua. Polêmico. Esses são todos os adjetivos referente a essa produção de Garpard Noé, Irreversível, de 2002. O filme trata-se de um episódio de estupro e todas as consequências drásticas decorrentes dele. De forma inversa, como o título do filme sugere, a história é contada de trás para frente. A forma de filmagem, a um estilo Bluxa de Blair, porém mais rápida, aliando-se a uma trilha sonora que nos faz viajar, pode até causar um pouco de enjoô no início da película. Porém, com o tempo o expectador começa a perceber que os rodopios e giros da câmera simbolizam o retrocesso da história, já que ela está sendo contada de forma invertida. Esse retrocesso também promove a desconstrução dos personagens, uma vez que as características dos mesmos observadas no início  se desfazem no decorrer da narrativa fílmica. Além do estupro, o filme aborda cenas de alta violência, como aquela que mostra Pierre (Albert Duponel) defender o amigo Marcus (Vincent Cassel) com o extintor. A câmera capta toda a agressão, essa que foi feita ininterruptamente, mostrando todos os golpes dados por Pierre até a desconfiguração completa do rosto do agressor. Um cena pra lá de pesada e dolorosa de se assistir. Confesso que pensei em parar, mas prossegui, imaginando na onde essa maluca história ia dar. Além disso, há de se destacar também o papel realizado por Monica Belluci, a namorada de Marcus. Só ela mesmo consegueria ter suporte psicológico e profissional para conseguir filmar a cena do estupro em uma única tomada,  de uma vez só, marcando a história do cinema como uma das cenas mais tórridas de sexo já gravada.  O tema sobre a homossexualidade não poderia ficar de fora do roteiro. Ela é apresentada de uma forma direta, nua e crua, buscando provocar todo o tipo de aversão ao expectador, induzindo-o a pensar que tais práticas sexuais e festivas seriam próprios somente daquele lugar em específico, daquela gente. Mas não. De forma brilhante, num outro momento do filme é mostrado uma festa heterossexual que, assim como o clube gay, lança mao das mais diversas subversões, como o sadismo, a orgia, o uso de drogas e assim por diante. Irreversível nos mostra que não se pode pagar ou apagar uma agressão com outra agressão, pois a violência, uma vez realizada, ela se torna irreversível para aqueles que a protagonizaram e por mais que se tente, as vítimas não são capazes de esquecer o ocorrido.

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domingo, 11 de abril de 2010

Being John Malkovich (Quero ser John Malkovich)



Mais um filme do grande roteirista Charlie Kaufman, mentor também do filme abaixo, Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Mais uma vez, o roteiro mostra o excelente domínio de Kaufman em entralaçar histórias e enredos numa mesma narrativa, sem, no entanto, deixar o filme entediante ou chato. Pelo contrário, as reviravoltas apresentadas na telinha prende ainda mais a atenção daqueles que a estão assistindo. Uma das melhores cenas já filmadas no cinema se passa nessa produção: a cena da perseguição entre duas mulheres dentro do subconsciente de John Malkovich, misturando-se em meio as lembranças e traumas do ator. Lançado em 1999, nos EUA, Quero ser John Malkovich conta a história de Craig Schwartz (John Cusack), um títere apaixonado pelo que faz - teatro de marionetes. Por sua habilidade nas maõs, Craig arruma um emprego de arquivista no sétimo e meio andar, num edifício pra lá de peculiar. Durante o trabalho, Craig descobre uma passagem escondida atrás das caixas de arquivos. Ao entrar naquele local, o arquivista descobre que, na verdade, trata-se de um portal que o conduz à mente de um ator famoso, John Malkovich. Essa experiência de observar a vida pelos olhos de outra pessoa deixa Craig perturbado, além de despertar nele o interesse de um dia poder controlar John Malkovich como sua marionete. Ao experimentar o portal, Lotte (Cameron Diaz), esposa de Craig, também fica muito impressionada com aquela sensação. Ela busca respostas pela emoção que sentiu de estar no corpo de um homem. Assim, ela começa a marcar encontros por telefone com Maxine (Catherine Keener), que trabalha com seu marido. Craig, por sua vez, também se apaixona por Maxine, mas nutre por ela um sentimento obsessivo e possessivo, tentando de todas as maneiras ficar com a moça. Para não contar maiores detalhes e surpresas do filme, recomendo a todos aqueles que gostam de um bom enredo a assistir a essa deliciosa e maluca história. Prestem bem atenção no papel feito por Cameron Diaz, pois além dela ter arrebentado na atuação desse filme, ela está irreconhecível.

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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Brilho eterno de uma mente sem lembranças


O filme que trago hoje é uma produção brilhante de Charlie Kaufman e busca explorar o universo confuso e nebuloso da complexidade humana em suas relações interpessoais e amorosas. O roteiro é ótimo, uma vez que brinca com o tempo do filme, deixando-o tudo, menos linear. Um tempo cíclico, muito bem amarrado, no qual as lembranças de Joel (Jim Carrey) buscam a sobrevivência dentro de sua mente. Aliás, vale a pena conferir o astro Jim Carrey interpretando esse belíssimo drama. Mas engana-se aquele que acha que não vai rir do ator. O jeito irreverente e solto de Carrey cativa os expectadores, sobretudo nos momentos em que interpreta Joel em sua versão infantil. O filme também mostra o crescimento da atriz Kate Winslet, principalmente se a compararmos na atuação feita no adoçicado Titanic. Ela interpreta Clementine, ex-namorada de Joel, uma mulher excêntrica e com muita personalidade e humor. É ela que Joel quer apagar de suas lembranças, já que o casal rompeu o relacionamento. Por fim, o filme nos traz uma mensagem importante: nossos relacionamentos e relações com as pessoas, por mais dolorosas que possam ser, nos constituem como pessoas, ou seja, traçam e elaboram aquilo que temos de mais íntimo, nosso eu interior, nossos sentimentos, nossa personalidade. Afinal, é nos erros que se aprende, não é mesmo? Vale a pena conferir essa produção de excelente qualidade.

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