Música

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Tempos de Paz


E viva o cinema nacional! Daniel Filho se superou dessa vez. Está certo que Tempos de Paz é um mérito muito mais de seus protagonistas, Tony Ramos e Dan Stulbach, do que, propriamente, do diretor. Porém, Daniel Filho - o mesmo das tramas novelísticas de Se eu fosse você 1, 2 e o futuro 3,  - teve a sensibilidade de projetar para o cinema a aclamada peça teatral estrelada pelos mesmo atores, Novas diretrizes em Tempos de Paz. Além disso, o filme teve um orçamento de baixo custo (1,5 milhão de reais) e  foi  gravado em apenas 10 dias.
Tempos de paz apresenta um enredo histórico, pois retrata a ditadura varguista, o Estado Novo, que compreendeu os anos de 1937-1945. O filme trabalha bem as questões que caracteriza uma ditadura: censura, perseguição, tortura, prisões e, principalmente, a violência física e psicológica decorrentes do período. Esse é um ponto positivo da trama, uma vez que, na história brasileira, a ditadura varguista sempre ocupou um lugar secundário se comparado a militar, seja pelo tempo menor em que vigorou ou, talvez, pela política "populista" (via criação de uma legislação social e trabalhista) empregada por Vargas que, de certa forma, camuflou tais aspectos totalitários. Digo secundário no sentido de que, por vezes, a violência desses períodos são colocados em uma balança e comparada, atitude essa que deixa de considerar importantes nuances do contexto histórico em que lhes são referentes. Ora, a violência, seja ela em maior ou menor grau, não deixa de ser alarmante por isso. Um regime ditatorial, sendo esse militar ou não, fere, além dos nossos direitos "democráticos", (as aspas são totalmente válidas, principalmente quando pensamos que se vivessemos numa democracia de fato, o voto e o alistamento militar não teriam que ser necessariamente obrigatórios) as liberdades pessoais do indivíduo, necessitando, para tanto, o uso de uma força desmedida, violenta, para se manter a "ordem".
Mas voltando ao filme, como disse, a trama retrata muito bem esses aspectos. Ela traz a história de Segismundo e Clausewitz, dois sujeitos totalmente opostos, cujas histórias se encontrarão no meio de um interrogatório da imigração.  O título do filme, Tempos de Paz, refere-se ao fim da Segunda Guerra Mundial e a adoção de novas diretrizes políticas para o momento. Segismundo, ex-torturador e oficial da polícia do governo, por exemplo, já tinha sido remanejado para o Departamento de Imigração em funçao do conflito.  Sua missão, na alfândega, seria empregar uma política de "caça aos nazistas e aos comunistas". Entretanto, com o cessar dos canhões, esse seu trabalho, novamente, já não fazia mais sentido para o governo brasileiro.  Sentia-se como se seus serviços que ora foram tão valorizados, já não eram mais úteis ao regime. Aliás, um dos ponto altos da película é a forma com que Segismundo (Tony Ramos), já como ex-oficial da polícia de Vargas, conta, com uma frieza ímpar, alguns do processo de tortura que empregou. Assim, nesses novos tempos, Segismundo passa a temer também uma possível vingança dos prisioneiros que torturou.
Clausewitz ao aportar em terras brasileiras fica maravilhado com a possibilidade de uma vida nova no estrangeiro. Na alfândega, seu erro foi recitar, de forma emocionada, um poema de Drummond, pois além de explicitar certo domínio pela língua portuguesa, ainda deixou intrigrado o agente da imigração, pelos dizeres  de O poeta é um fingidor - Não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças. Clausewitz foi levado para o interrogatório. O interrogador? Segismundo.  Ele fez de Clausewitz seu último caso na alfândega. Como seu passaporte atestava que era agricultor, Segismundo começa a desconfiar do polonês pelas mãos lisas que apresenta e também pela inexistência de bagagens. Clausewitz, porém, não tem nada a oferecer além de suas memórias manchadas pela guerra. Num jogo de diálogos interessante, Tony e Dan, enquanto atores, envolvem-se no drama, com atuações pra lá de excepcionais.  Nesse contexto, o surpreendente acontece: o monólogo de Dan, de fato, faz chorar.

Abro um parênteses. Caro leitor, se durante sua sessão cinema o papel exercido por Dan lhe intrigar, lhe trazer dúvidas como: - Isso não me é estranho... Fique tranquilo! De fato, o Clausewitz muito te lembrará Viktor Navorski em O Terminal. Ou seja, não será só a semelhança física entre Dan Stulbach e Tom Hanks que te perturbará, mas também a semelhança dos papéis e do roteiro apresentado sobre o personagem. Fecho parênteses.

Emocionante e teatral. Essas são as características do filme. Recomendo a todos aqueles que clamam por grandes atuações e belas produções.


Para baixar é só clicar no título ou no link alternativo do filme.

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Problemas no link? Deixe nos comentários!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cinema e história: socialismo, capitalismo e os ideais (revolucionários ou não) de felicidade

O cinema alemão tem investido cada vez mais nas temáticas sócio-revolucionárias, recheadas de críticas ácidas tanto ao capitalismo quanto ao socialismo. Além disso, tais enfoques buscam debater também sobre a quebra e mudança de valores, paradigmas e ideais de igualdade na sociedade contemporânea.  Antes de listar alguns deles aqui, é preciso abrir um parênteses sobre qual socialismo e capitalismo as películas retratam. Primeiro, é preciso se ater que aquele socialismo defendido por tantos e tantos jovens nos anos de 1970/80 não se concretizou, uma vez que a política violenta de Stalin desiludiu e castrou as liberdades pessoais de grande parte dessa geração. Dessa forma, os filmes que irei abordar buscam, justamente, apontar severas críticas a política socialista-stalinista e a abertura da Alemanha Oriental ao capitalismo. Quanto ao capitalismo, é preciso lembrar que esse, naquele momento, se encontrava em seu estágio de reconstrução, ainda muito longe do poder e influência que alcançou hoje, graças as práticas políticas que, de certa forma, incentivaram esse processo, como o neoliberalismo. 
Ao pensar nesse post, uma indagação me surgiu: quando pensamos em duas propostas políticas e econômicas tão antagônicas como o socialismo e o capitalismo, qual é a fronteira que delimita o que, de fato, é conservador e o que é revolucionário? Se vivemos num regime mediado pelo capital, aqueles que assim o defendem, dessa forma, são os conservadores. Mas se vivessemos numa época baseada em alguns dos princípios do socialismo, os socialistas seriam assim os conservadores? Ou seja, o conceito de conservadorismo, por exemplo, é inócuo, vazio, oco e de nada serve, pois, ao final, ele sempre jogará ao lado de quem está ganhando...

Enfim, ironias a parte... Durante a apreciação crítica dessas obras busquei, a todo instante, evitar certos anacronismos não só temporal, mas também ideológicos. Porém, isso não implica no fato que você, caro leitor, não possa ter uma visão diferente da minha, aliás, isso somente enriqueceria ainda mais o debate. Sendo assim, esteja a vontade para fazer qualquer objeção que achar necessária...

Vamos aos filmes...


Cronologicamente, Adeus Lenin! (Good Bye Lenin!), realizado em 2003, estréia o bloco de filmes inteligentes, bem construídos e historicamente datados na Alemanha Oriental e nos bastidores da queda do Muro de Berlim. A película navega entre o drama e a comédia, já que seu enredo é conduzido com uma sutileza humorística digna de nota. Afinal, me pergunto: Como o adolescente Alexander poderia contar para sua mãe que todos os ideais que ela tanto acreditara caíra por terra, juntamente com o muro de Berlim, enquanto esteve em coma? Nesse sentido, Alex passa a criar, para a mãe, uma ficção da Alemanha Oriental de outrora, essa que já começava a sinalizar positivamente para o capitalismo, por meio de bandeiras e outdoors de grandes empresas, como a Coca-cola. E é nessa busca incessante de Alex por produtos, roupas, acessórios dos tempos idos que o riso é proporcionado, no esforço do jovem em preservar sua mãe de emoções fortes que pudessem abalar seu fraco coração. O filme possui uma trilha sonora excelente e a trama, como já ressaltei, muito bem conduzida e trabalhada, proporcionando ao telespectador a reflexão sobre as mudanças sociais - de comportamentos, hábitos, enfim - provocadas pela queda do Muro de Berlim, essa que simbolicamente retratou a entrada da Alemanha Oriental na "sociedade do espetáculo" incentivada pelo consumismo oriundo do capitalismo.
  
_______________________________________
  
Em 2004, surge no universo cinematográfico Os educadores, (The Edukators). Daniel Bruhl aparece agora personificado como Jan (e não mais como Alexander de Adeus Lenin!), um jovem idealista que realiza protestos pacíficos com seu velho amigo Peter e, mais tarde, com a bela Jule. Auxiliados pela profissão de Peter - instalador de alarmes - os amigos iniciam uma série de invasões de domicílio cujo intuito principal é provocar medo, ou melhor, mostrar que mesmo em meio a tanto dinheiro, essas pessoas não ficam imunes a insegurança. Para tanto, esses educadores do mundo contemporâneo criam frases de efeito, como Seus dias de fartura estão contados. O belo e interessante dessa produção concentra-se nos diálogos empregados por meio de dois discursos antagônicos - um revolucionário e outro conservador - ou melhor, o dos três jovens e o do senhor raptado em uma das invasões que fracassou. Nessas conversas podemos identificar os velhos e ainda fracos argumentos que muitos ainda utilizam para defender um ideal, tipo "Eu paguei por tudo que tenho" ou então, do outro lado, "as crianças asiáticas trabalham como escravas para que pessoas como você tenha um carro como esse" e por aí vai. Porém, no decorrer da cena, em meio a tanto confronto, os dois grupos fornecem uma trégua um a outro, proporcionando que seus interlocutores passam a ser, dessa forma, mais ouvidos. Assim, os dois grupos, gradualmente, começam a perceber que há muito mais nos outros do que possam imaginar, questão essa que é evidenciada na cena na qual o senhor se identifica, em partes, com algumas ambições idealistas dos jovens. O final não é tão previsível assim como se pode imaginar...

______________________________________

Para finalizar, não menos importante é o belíssimo A vida dos outros (Das lebens der anderen), de 2006. De forma similar ao Adeus Lênin, a trama também se concentrará na Berlim Oriental pré e pós-queda do Muro de Berlim. Porém, a atenção agora concentra-se na Stasi, a polícia secreta da antiga Alemanha Oriental, essa que mantinha uma política agressiva de fiscalização e perseguição a todo e qualquer cidadão que se opusesse ou criticasse o Grande Irmão, ou melhor, o regime em vigor. Um dos pontos altos desse filme é abordagem sobre as práticas de corrupção que se fizeram presentes no regime socialista, essas que, embora privilegiassem, de certa forma, o Grande Irmão, também eram empregadas com o fim de obter benefícios particulares e individuais. Além disso, outro ponto auge é a amostra do lado humanitário desse regime marcado por censuras, perseguições, torturas e mortes. Aqui, o grande destaque é a atuação brilhante do capitão da Stasi, Gerd Wiesler (Ulrich Mühe), quando recebe a missão de vigiar e investigar o casal Georg Dreyman (Sebastian Koch), importante dramaturgo e sua namorada Christa-Maria Sieland (Martina Gedeck), famosa atriz de teatro. A partir daí o filme é envolvido por um clima de suspense a la Hitchcook, já que Wiesler começa a se envolver cada vez mais com o romance e dia-a-dia do casal. Não apenas como policial, mas também como voyer, Wiesler se esforça para cumprir sua missão e, ao mesmo tempo, saciar suas curiosidades pessoais sobre a vida do casal.



Para baixar é só clicar no link do filme.

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Problemas no link? Deixe nos comentários!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Café Filosófico: Existência como doença - Márcia Tiburi


“Falar em existência significa justamente colocar em dúvida a possibilidade de que algo exista (...) A existência é uma coisa absolutamente confusa” – Márcia Tiburi

“A essência da existência é a dor” - Shopenhauer

A proliferação de livros auto-ajuda no mundo contemporâneo aponta que o ser possui uma leveza, por vezes, insustentável. O capitalismo além de ser o principal agente causador dessa sensação de eterno pesar se alimenta do mal estar das pessoas para vender essa idéia: a existência como doença. Surgem assim, milhares de Paulos Coelho, Lyas Luft e uma grande quantidade de medicamentos e drogas que prometem sanar, sempre de modo paliativo, essa doença e sofrimento coletivo que tem sua origem no próprio ato de pensar na existência.
Esse é o tema trazido pela filósofa Márcia Tiburi nesse intrigante Café Filosófico. Tiburi nos mostra como a filosofia pode nos auxiliar a refletir sobre questões e angústias que a vida nos traz. Essa viagem do pensamento sobre a existência inicia-se desde o período pré-socrático até filósofos do século XIX, como Shopenhauer e o seu O mundo como vontade e representação e Nietzsche, com sua Gaia Ciência.
Tiburi utiliza-se da metafísica trazida, sobretudo, pelos filósofos da antiguidade clássica para explicar o que é a existência, ou melhor, o que ela significa para aquele que existe dentro de si mesmo. Vale a pena citar: "Pelo simples fato de eu existir dentro do meu próprio corpo, de eu fazer uma experiência concreta, da minha própria individualidade, sendo que eu não posso ser outra pessoa e que, portanto, eu estou condenada a ser eu mesma e que quando eu falo - eu mesma - eu apenas remeto a minha diferença e a minha constituição naquilo que ela tem de oposto ou de complementar ou de estranho em relação ao outro é que eu posso falar de uma existência. Então, eu existo porque eu simplesmente faço uma experiência inexorável da minha própria história no lugar em que eu mesmo experimento essa história, que é o meu corpo. A metafísica já está em mim."

Pensando sobre a existência

Existência como dor versus Existência como prazer

A doença da existência viria do próprio ato de pensarmos sobre nós mesmos. O mal estar e o pessimismo originado por esse ato representaria, assim, a essência da existência. A partir daí, Shopenhauer comanda a cena filosófica com a promulgação da negação da vontade humana, pois já que a essência da existência é o sofrimento, é a dor, nesse sentido, o não-ser, mesmo com todo sentido pessimista que carrega, valeria mais a pena do que ser. Para Shopenhauer, a dor de existir é, de certa forma, antecipações e prévias da morte. Nesse enredo, a felicidade se expressaria apenas como um esforço ético e/ou como uma categoria moral de nosso ser, sendo, portanto, efêmera, nunca eterna.
Em sentido contrário, encontra-se o pensamento filosófico de Nietzsche. Levantando-se contra o pessimismo, Nietzsche apontou o não aproveitamento da alegria pelo homem como o problema da insustentabilidade de seu ser, formulando, posteriormente, a teoria do eterno retorno, ou seja, aquele que não consegue encarar seu passado não supera a doença de sua existência. No lugar do tédio de Shopenhauer, Nietzsche propunha a criação, o gozo, o prazer. "Aquilo que para muitos é a doença, (...) a gente pode encontrar a fonte de nosso própria inspiração criadora".
O autoconhecimento, ou melhor, o ato de pensar nossa própria existência também nos remete a refletir e ir ao encontro a um outro, um outro que habita - por incrível que pareça - em nós mesmos. Dessa forma, o homem se confronta com sua própria alteridade nessa experiêcia subjetiva, causando, por sua vez, o susto, o horror sobre nossa própria existência. "Todo mundo é um e é outro".
Essa potência do horror é tratada, no mundo contemporâneo, como doença, fornecendo, como tratamento, a opção da fuga aos seres insustentados por sua própria leveza. Por exemplo, quando pensamos na psicologia ou, mais precisamente, a terapia, qual é a função do psicólogo ali? Não é ele quem soluciona as mazelas de nossos seres, pois, na verdade, ele só nos induz a pensar sobre nossa própria existência, a olhar para o nosso reflexo, isto é, para nosso eu e o outro que habitam em nós mesmos, buscando assim, fazermos superar nossa potência de horror. Além da psicologia, existem outros "tratamentos" sugeridos para a "doença de nossa existência", incluindo aí o uso de outros meios, como o psiquiátrico e midiático. Entretanto, esses métodos não passam de paliativos, ou melhor,  fórmulas de felicidade vazias e sem sentido e respostas prontas para perguntas que, no fundo, nem são nossas. Por fim, ao invés de proporcionar o encontro de nós mesmos com nosso outro, fortalecendo, assim, nossa existência, esses métodos enfraquecem-a, pois a coloca numa redoma de vidro, protengendo-nos de nossa própria monstruosidade, quando, na verdade, deveríamos estar confrontando-a.

Enfim, corroborando um pouco com o pessimismo de Shopenhauer e aproveitando sua escrita jocosa, proponho uma conclusão inconclusiva, marcada por uma reflexão cíclica na qual o ponto inicial é, e sempre será também, o ponto final. Ou seja, no fim das contas, é sempre nós mesmos que somos, causamos e solucionamos os próprios conflitos de nossa existência...

Para baixar é só clicar no título do post.

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Problemas no link? Deixei nos comentários!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DVD - Los Hermanos na Fundição Progresso

Essa gravação foi uma despedida da trupe e um dos últimos shows que fizeram antes do recesso por tempo indeterminado. O lugar selecionado tem toda uma simbologia especial para a banda, não só por estar localizada na Lapa carioca, um reduto de rockeiros, mas também pelo fato de que, em 1998, ter sido na Fundição uma das melhores e mais marcantes apresentações da banda que resultaria na gravação do clipe o Vencedor. Nessa produção, podemos identificar verdadeiramente quem são os fãs de Los Hermanos. Não se vê garotas histéricas clamando por Anna Júlia ou Primavera. Mas sim um público de mais ou menos cinco mil pessoas, acompanhando letra por letra, frase por frase, enfim, os maiores sucessos dos quatro discos dos Los Hermanos. Um público nem indie, nem rock, nem MPB, mas telespectadores jovens, universitários e bem educados relativamente. O que eles teriam em comum? Além do gosto musical primoroso, o que os une também poderia ser traduzido naquilo que sustenta o peso de seus corpos: os velhos e novos All-star. Mesmo tentando ir contra a corrente do mundo da moda, apresentando-se de "cara suja", e imprimindo a marca registrada da banda, justamente, na barba grande de seus componentes, LH, de certo modo, até lançaram moda com as camisas xadrez de mangas curtas que acreditávamos ser usadas somente por cobradores de ônibus. Fato é fato. Los hermanos inaugurou, na cena do rock brasileiro, uma fase de ecletismo e combinações musicais que pode ser evidenciado pelo aparecimento de diversas bandas independentes com essa mesma vibe filosófica, como Pullovers, com a diferença que esses não são cariocas, mas paulistas. Para aqueles que, assim como eu, gostam de relembrar e degustar a obra da banda, disponibilizo aqui o download dessa produção.

Para baixar é só clicar no título do post. 

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Problemas no link? Deixei nos comentários!

sábado, 30 de outubro de 2010

O declínio do império americano e As invasões bárbaras

Trago hoje dois filmes francês de excelente qualidade. Dirigidos por Dennys Arcand, O declínio do império americano (Le Déclin de l’Empire Américain, Canadá, 1986) e Invasões bárbaras (Les invasions barbaras, 2003), é uma sequência divertidíssima e, ao mesmo tempo, crítica, que envolve a história de um grupo de amigos, em sua maioria, professores universitários que atuam em áreas ligadas a História.

Em O declínio do império americano, a película inicia-se por meio de uma teoria formulada por uma de suas personagens, a qual propunha que os dias de dominação política e ideológica dos EUA estariam contados, devido ao predomínio da vontade individual sobre a coletiva ou da felicidade pessoal sobre o bem-estar coletivo. A teoria histórica mistura-se em meio as aventuras e desventuras amorosas e sexuais do grupo de professores. O grupo, nesse caso, expressaria o coletivo, a sociedade, e as aventuras de cada um, em particular, o interesse individual. A trama é muito bem desenvolvida, fundamentada, sobretudo, por diálogos entre os personagens, conversas ora filosóficas e históricas, ora pessoais - mas sempre apresentada sob tons sarcásticos. Por fim, essa produção aborda as ideologias de esquerda de um grupo, e porque não dizer, de uma geração, que realmente acreditava em mudanças mais profundas na sociedade.


 
Em As invasões bárbaras, a teoria fundamentada na produção anterior teria, de fato, se concretizado, afinal o 11 de setembro abalou o império americano. Os bárbaros, nesse caso, seriam aqueles que cometeram a invasão e a destruição do símbolo do poder americano. Isso exigiu, dos EUA, um esforço para restabelecer e definir melhor suas fronteiras - visíveis e invisíveis - e uma caça as bruxas, ou melhor, aos terroristas e todos outros, sobretudo imigrantes, que simbolizassem uma ameaça - nuclear ou não - aos filhos da terra do Tio Sam. Aquela geração retratada anteriormente, cheia de convicções, ideologias e pelo anseio de mudanças, agora se apresenta na conformidade e permeados por um sentimento saudosista dos tempos idos. Além disso, nessa produção o leque de temáticas abordadas nos diálogos entre os personagens é expandido, compreendendo desde a globalização, o holocausto, o extermínio indígena, a morte e eutanásia, até os laços e sentimentos familiares.  Há um embate também bem sinalizado: Remy, doente e em estado terminal é o sábio professor de história de convicções filosóficas, socialistas. Seu filho, porém, é o seu oposto: está em plena vitalidade, trabalha na bolsa de valores e comunga de uma ideologia prática, capitalista. A mensagem do filme, por mais piegas que possa parecer, busca transmitir ao telespectador que alguns laços e sentimentos como a amizade e o amor de pai para filho o dinheiro não pode e nunca conseguirá comprar.


Essa é a melhor sequência de filmes que já vi, pois as duas produções apresentam uma coerência temática impressionante! Esses filmes estão também entre uma das melhores produções críticas sobre o poder político e econômico estadounidense. Logicamente que há pequenas falhas, alguns mistérios não solucionados, como a suspeita mostrada no primeiro filme que um dos personagens estaria com AIDS. Isso sequer é comentado na segunda produção. Mas pra quem se interessa por discussões bem fundamentadas essa é uma ótima pedida! Afinal, como os filmes mesmo buscam mostrar, os homens vão, mas suas obras ficam!

Há também a versão final dessa trilogia, que seria a Idade das Trevas, a era que sucedeu, na história, as invasões bárbaras decorridas do declínio do império romano. Infelizmente, no Brasil, o título foi traduzido erroneamente para A era da inocência, produzido em 2007. Essa produção fecharia a crítica sobre a crise da sociedade moderna e do "império" estadounidense. Infelizmente, não consegui ainda esse filme e estou atrás dele. Se alguém souber de algum link disponível pra download me avisem, please!!!!

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Os filmes no blog são todos em RMVB para facilitar o download pra galera e também para ocupar menos espaço no PC. Porém é preciso ter um player, como o Real Player, que suporte essa extensão do arquivo. Sugiro o Media Player Classic, pois ele é rápido, suporta várias extensões de arquivos diferentes e é leve para o PC. Entre no http://www.baixaki.com.br/download/k-lite-mega-codec-pack.htm e baixe o arquivo para assistir o filme!

Problemas no link? Deixei nos comentários! 

domingo, 17 de outubro de 2010

1,99: Um supermercado que vende palavras e Ilha das Flores

 
Depois do impressionante Nós que aqui estamos por vós esperamos, de 1999, Marcelo Masagão parece nos impressionar novamente com a sua mais bela combinação fílmica de imagens, palavras e música. Em 1,99: O supermercado que vende palavras, de 2005, Masagão faz uma brilhante associação entre o consumismo desenfreado da sociedade capitalista e a venda de estilos de vida, ou como o filme retrata, a venda de conceitos, de palavras, buscando retratar nossa conteporaneidade que dá primazia mais a aquilo que se tem, do que aquilo que se é, apontando, por sua vez, o fetiche que se tem sobre o consumismo. As cenas mais brilhantes se concentram naquela que o cara vai sacar dinheiro do caixa eletrônico e aparece a face de uma mulher sentindo prazer pela situação, simbolizando a relação dependente - e até escrava - entre capitalismo e consumismo. A outra cena está na venda do conceito - Escolha sua dívida - e a disposição de caixas e mais caixas com os determinados prazos a se pagar - 3 meses, 6 meses, 2 anos, por exemplo, e o cara que fica no caixa pregar na própria pessoa o valor do juros a ser cobrado, 3%, 10%, por exemplo. A cena dos protestantes da ação contra o tédio também é digna de nota. Masagão também não se esqueceu da massa de excluídos de nossa sociedade, acusados simplesmente de não possui o poder de consumo, de compra, ou seja, dinheiro. São todas aquelas pessoas que foram barrados do supermercado e ficam vagando pelo seu exterior, nas margens de nossa sociedade. Enfim, muitas outras questões são apontadas por esse belíssimo trabalho, desde o trato e a atenção que deveríamos ter com os idosos, aos problemas da auto-imagem das pessoas, essas que cada vez mais, nos circuitos das redes sociais são alteradas por Photoshops da vida. O mais irônico do filme é fazer crítica a grandes multinacionais e marcas e no seu início gastar mais de cinco minutos exibindo essas mesmas marcas como patrocinadores ou apoio cultural da produção. Mas creio que sem isso o cinema nacional não seria nada, né?

 
Mais ou menos nessa perspectiva, tem-se também o aclamado e premiado curta de Jorge Furtado, Ilha das Flores, de 1989. Esse documentário retrata a história de um tomate. Plantado pelo Sr. Suzuki, o tomate sai do tomateiro, é vendido ao supermercado, comprado por uma dona de casa, essa que o julga inapropriado para o molho do porco e o descarta no lixo. Do lixo, ele é encaminhado para Ilha das Flores, o lixão de uma cidade do sul do país. Lá, o lixo é selecionado entre porcos e pessoas. O tomate, por sua vez, é julgado mais uma vez como inapropriado, agora para os porcos, servindo-se, apenas, para satisfazer a fome de uma criança faminta. Dessa forma, Ilha das flores retrata não só o consumismo, mas também a perversidade do sistema capitalista baseado na exploração do homem, cujo resultado se traduz na grande desigualdade social. Além disso, o curta aponta também para a crueldade do próprio ser humano, retratando sua ganância e a falta de solidariedade para com os outros. Vale a pena conferir!!

Download Ilha das Flores 

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Os filmes no blog são todos em RMVB para facilitar o download pra galera e também para ocupar menos espaço no PC. Porém é preciso ter um player, como o Real Player, que suporte essa extensão do arquivo. Sugiro o Media Player Classic, pois ele é rápido, suporta várias extensões de arquivos diferentes e é leve para o PC. Entre no http://www.baixaki.com.br/download/k-lite-mega-codec-pack.htm e baixe o arquivo para assistir o filme!

Problemas no link? Deixei nos comentários! 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pullovers - Tudo que eu sempre sonhei



O pullover junto ao óculos fundo de garrafa são acessórios essenciais no mundo nerd. Partindo dessa idéia, a banda Pullovers buscam misturar o jeito geek com o indie, rock, mpb e até um pouquinho de samba a la Salgueiro. A veia nerd está presente não só no estilo do sexteto, mas também na escolha de temáticas do mundo urbano e ligadas, em grande medida, a cena cotidiana paulista, como por exemplo, Futebol de óculos e a canção que faz referência a Revolução Constitucionalista paulista, 1932 (C. P.) Aqui também se pode perceber a grande influência dos eternos hermanos na composição do estilo da banda, podendo ser identificado não só pela proposta de mistura de sons, mas pelas letras elaboradas e irreverentes e também pelo próprio vocal, esse que, em algumas canções, se tem a impressão que é o próprio Camelo quem está cantando, como acontece em Todas as canções são de amor e Marinês. Além dos Hermanos, também se pode perceber grandes outras influências, desde Chico Buarque até a banda indie pop escocesa Belle and Sebastian. Destaque para o belíssimo trabalho do letrista Luiz Venâncio, o qual busca em suas composições uma maneira simples, direta e delicada de se falar as coisas, como acontece na epopéia narrada em Tudo que eu sempre sonhei. Detalhe: Tudo que eu sempre sonhei é o primeiro album da banda com letras em português, já que em pouco mais de dez anos de carreira, até então, eles se dedicavam a compor músicas em inglês. Hoje, além de Luiz Venâncio, o Pullovers têm também Rodrigo Lorenzetti nos teclados, Bruno Serroni no baixo, Angelo Lorenzetti na viola, Gustavo Beber na bateria e Habacuque Lima, que também faz parte do Ludov, na guitarra. Com arranjos melódicos e bem elaborados, sem dúvida Pullovers está entre uma das melhores bandas do rock alternativo e independente brasileiro. 
 
 01. Tudo que eu sempre sonhei
02. O amor verdadeiro não tem vista para o mar
03. 1932 (C.P.)
04. Marinês
05. Lição de casa
06. Quem me dera houvesse trem
07. Marcelo ou eu traí o rock
08. Futebol de óculos
09. O que dará o salgueiro?
10. Semana
11. Todas as canções são de amor
12. Tchau

Para baixar é só clicar no título do post. 

Lembrando que o arquivo tem extensão. rar e deve ser descompactado.

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Problemas no link? Deixei nos comentários!

sábado, 2 de outubro de 2010

Numismata

Para aqueles que gostam de uma boa diversificada no som e conhecer grupos musicais novos, trago hoje os paulistas NUMISMATA, uma indicação do menininho de Guararapes-SP. A sonoridade da banda é ótima! O grupo é formado por Felipe Veiga (bateria e percussão), Russo (voz e percussão), Adalberto Rabelo Filho (guitarra e voz de apoio), André Vilela (guitarra e voz de apoio), Carlos H. (baixo) e Piero Damiani (voz, teclados e percussão). Creio que a banda não goste de rótulos para se encaixar num só estilo musical. Mas muitas influências podem ser percebidas na primeira audição: de cara, é possível identificar uma aproximação com Los Hermanos, sobretudo, quando se trata da tentativa de ligação entre o samba, o pop e o rock-indie, além da irreverência utilizada em algumas letras, como a faixa Morfeu. Além disso, há um pouco de Seu Jorge, Cartola e até uma pitadinha de blues, como em Mal secreto. Como vocês podem perceber, o álbum é muito variado e rico musicalmente. Além disso, devo destacar a brilhante instrumentação do mesmo, o que indica a excelência desses artistas/músicos. A sensação é que eles brincam de fazer música! Outro destaque é a composição das vozes e sua ligação direta com a melodia. Em Canção de ninar, uma das mais belas do álbum, pode-se perceber o canto a la capela desses artistas, alguns efeitos musicais eletrônicos e o uso de instrumentos mais tradicionais, como a flauta.
Quanto a escolha do nome do grupo, ainda não sei ao certo, mas pelo que pesquisei tem uma ligação com a coleção de moedas. Nesse caso, parece haver uma ligação com a bagagem musical e artística do sexteto, uma verdadeira coleção de valores, ritmos, batuques e estilos musicais diferenciados traduzidos numa coisa só, ou seja, Numisnata. Confiram a playlist de Brazilians on the Moon (2003).
1. Sambiri
2. Indulgente
3. Ciúme
4. Mal Secreto
5. O Mestre-Sala Não Veio
6. Leva Meu Samba
7. Samba Surdo
8. Atômico Platônico
9. Paciência
10. Casa Vazia
11. Morfeu
12. Canção de Ninar
13. Sambiri (Côco)
14. Ciume (Mugomango Atmos Mix)


NUMISMATA - CHORUME (2009)
O segundo e último album lançado pela banda, em 2009, pode-se identificar uma pegada de rock mais evidente. Além disso, percebe-se já certa maturidade musical de seus integrantes. O álbum é mais coeso e traz a parceria de diversos músicos, como Luiz Melodia, Kassin, Maria Alcina e Rita Maria. O nome sugestivo desse trabalho - Chorume - remete-se não só ao choro, mas também uma idéia irônica de se aproveitar coisas do "lixo" para se fazer combustível. Nesse caso, vários sons diferenciados são aproveitados e resgatados, como as melodias das antigas marchinhas de carnaval, como é feito em A vida como ela é. As letras das canções também estão mais belas. A mistura numismática entre samba e rock está mais madura e isso pode ser verificado na audição na faixa Anhanguera. Ao mesmo tempo, nota-se a utilização de outros instrumentos, como o violino e o sax, fornecendo um charme singular, como na valsa A passos largos e no jazz de cabaré de Vira-latas. Os instrumentos e efeitos eletrônicos também são mantidos e estão presentes em algumas canções. A surpresa dessa produção está no mambo instrumental de Fernando. Enfim, pra quem gosta de uma boa música Numismata lhe oferecerá uma ótima audição. Pra mim, Chorume já está entre os melhores álbuns já produzidos. Confiram a playlist desse trabalho:

1. Todo céu e essas coisas
2. Prejuízo (com Luiz Melodia e Thadeu Meneghini)
3. O inferno é um pouco mais (com Kassin)
4. Naif
5. A passos largos
6. Tanta saudade
7. Anhanguera (com Maria Alcina e Rita Maria)
8. Vira-latas (com Carlos Fernando)
9. A vida como ela é (com Maria Alcina e Tatá Aeroplano)
10. Fernando


Além de Numismata, estou em processo de audição de novos sons e influências brasileiras. Acho que é uma busca por um rock mais plural. Dentre eles estão Pullovers, Cidadão Instigado, Banda Gentileza, Mamma Cadela, Lulina, Charme Chulo, Black Drawing Chalks, Rafael Castro e Pública. Em breve postarei minha apreciação crítica sobre esses bons, "novos" e desconhecidos artistas.

Para baixar é só clicar no link do álbum desejado.
Lembrando que o arquivo tem extensão. rar e deve ser descompactado.

Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Problemas no link? Deixei nos comentários! 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Will & Grace

 
Pra variar aqui no blog, trago hoje uma série ótima. Creio que passei por algumas situações parecidas e me identifico com alguns personagens e, portanto, dedico esse post a galerinha de Três Lagoas-MS, em especial ao DU, grande amigo e que, sem dúvida, irá adorar as aventuras de Will, Jack, Grace e Karen.

Will & Grace assemelha-se a série Friends, tanto no sucesso alcançado, como na proposta temática da série: amizade e relacionamentos. Porém, a comédia dos fatos narrados não se concentra apenas no brilhante elenco que compõe, tampouco na aventuras amorosas dos personagens, mas no relacionamento afetuoso entre Grace e Will, sendo esses muito mais do que amigos, mas menos do que amantes, já que temos que levar em conta a homossexualidade desse último personagem. A série foi produzida de 1998 a 2006, totalizando oito temporadas, sendo a primeira a transmitir um beijo homossexual romantico. Mas diferente de outros seriados como Queer as folk ou The L World que buscam levantar a bandeira do homossexualismo como primeira causa, Will & Grace tratam sobre o assunto, mas com uma sutileza digna de nota. A atenção está no dia-a-a-dia dos personagens e suas aventuras e desventuras. Vale a pena conferir o elenco:

Elenco:

Eric McCormack intepreta o advogado Will Truman.

Debra Messing faz a designer e decoradora Grace Adler.

Megan Mullally atua como a sarcástica Karen Walker.

Sean Hayes interpreta o exibicionista Jack McFarland.

Para baixar, é só clicar no episódio desejado que você será direcionado para a página de download.

1º TEMPORADA
TEMPORADA
TEMPORADA



TEMPORADA




TEMPORADA



6º TEMPORADA



7º TEMPORADA



8º TEMPORADA
(FINAL)



EXTRAS



Sugestões de filmes, livros ou outras produções? Deixe um comentário!

Os filmes no blog são todos em RMVB para facilitar o download pra galera e também para ocupar menos espaço no PC. Porém é preciso ter um player, como o Real Player, que suporte essa extensão do arquivo. Sugiro o Media Player Classic, pois ele é rápido, suporta várias extensões de arquivos diferentes e é leve para o PC. Entre no http://www.baixaki.com.br/download/k-lite-mega-codec-pack.htm e baixe o arquivo para assistir o filme!

Problemas no link? Deixei nos comentários!